BR-386: complementos às memórias

opinião

Ardêmio Heineck

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BR-386: complementos às memórias

Por

Vale do Taquari

Reportagens de jornais são registros da história. É o caso da matéria de Mateus Souza no A Hora do último fim de semana, título “BR-386 – Memórias e lições da duplicação que transformou o Vale”, contando fatos da duplicação dos 33 km entre Tabaí/Estrela. Valida esta assertiva na página 7 ao reproduzir matérias a respeito, que A Hora publicou de 2010 (início da obra) a 2018 (sua conclusão). A matéria é alusiva ao começo próximo da duplicação Lajeado / Marques de Souza, de 20 km, pela concessionária CCR.

Entendi poder complementar o belo relato do jornalista Mateus, trazendo aqui outras ocorrências importantes. Afinal, até chegar-se no início das obras em 2010 houve muita articulação e trabalho de um tenaz grupo regional. Até retrocedo mais, lembrando a articulação vital liderada pela Associação Comercial de Lajeado – ACIL, na década de 50, que levou à alteração do traçado da 386, de Venâncio Aires, para cá. Sabiamente, afora valer-se dos argumentos certos, a entidade obteve o decisivo apoio de duas empresas americanas de Lajeado, já que a verba para a construção da rodovia provinha do Programa Norte-americano “Aliança para o Progresso”, de apoio ao desenvolvimento de países emergentes.

No caso presente – Estrela/Tabaí –, a mobilização começou com uma “convocação” a entidades, do então deputado estadual Elmar Schneider, num café da manhã, lançando-lhes o desafio da duplicação. Univates e Codevat, pelo reitor e presidente Ney Lazzari, assumem a coordenação, executivamente praticada por Carlos Alberto Martini, secretário executivo daquele Conselho e secretário da Ind. e Com. de Lajeado. Juntam-se a ACILajeado, ACIEstrela, CIC Vale do Taquari (que presidia à época), Nilto Scapin (Conpasul – construtora de duplicação) e Leandro Eckardt, que construiu a nova aldeia indígena em tempo recorde, para auxiliar na liberação mais ágil pela FUNAI. Paralelamente, uma votação popular regional, promovida pela RBS, colocou a obra entre as três mais votadas, no Estado, dentre doze elencadas, com o que recebeu o apoio daquele Grupo de mídia.

No campo político, a chefe da Casa Civil de Lula, Dilma Rousseff, gerenciadora do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC 1, que garantiu os recursos necessários, graças às gestões do deputado estadual Luiz Fernando Schmidt, deputado federal Beto Albuquerque, senador Paulo Paim e ministro Mendes Ribeiro Filho.
Contudo, parafraseando o dito popular, “nem tudo são flores” na duplicação Estrela/Tabaí. A Conpasul venceu a licitação para conclusão dos trabalhos em dois anos. Nos bastidores, a empresa comentava tentar fazê-lo na metade do tempo, dada a relevância para o Vale e para o Estado.

Por motivos que – sirvam de lição – não podem se repetir, a conclusão só foi possível em oito anos. No licenciamento ambiental, o IBAMA, prático, logo viabilizou o início dos trabalhos. Já o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), parecer necessário no bojo da liberação, ajudou na lerdeza. Contava apenas com dois técnicos para o Estado todo. Já a FUNAI foi a “tranca rua”. Desnudou inaptidões para tratar da questão indígena e, desnecessariamente obstou, por anos, a liberação dos últimos 8 km. A cada exigência atendida, surgiam outras, levando a obra à paralisação e à falta de recursos. Entra, então, a articulação vital da CIC Vale do Taquari, já sob a batuta de Ito Lanius. Com o fechamento da rodovia, numa ocasião, obteve espaços na mídia para denunciar os descalabros e, junto ao DNIT, a retomada e a conclusão das obras. Transparece já não a articulação regional, mas uma desarticulação que em nada ajudou. Felizmente, em reconstrução.