Uma conta desafiadora

opinião

Cíntia Agostini

Cíntia Agostini

Vice-presidente do Codevat

Assuntos e temas do cotidiano

Uma conta desafiadora

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O alento da vacina já é realidade, mas até chegar a todos nós vai levar um tempo. E esse tempo exigirá mais resiliência de todos em nossas relações. Já há indícios claros que nos países nos quais a vacina avança, os resultados de contaminações estão reduzindo e essa é uma ótima notícia para a sociedade mundial.

Os estados mundo afora tentam agir da melhor forma em prol da população, observando as questões a partir da sociedade e da economia, prioritariamente. Aqui no Brasil isso não foi diferente, várias medidas sociais e econômicas foram implementadas emergencialmente e condicionadas ao enfretamento da pandemia. Especificamente para a população criou-se o auxílio emergencial, que atendeu a quase 68 milhões de pessoas e dispendeu de R$ 290 bilhões em recursos da União, o que resulta em uma média de pouco mais de R$ 4 mil reais por pessoa nesses 10 meses de benefício.

E particularmente para os negócios, foram criados mecanismos de redução de jornada com redução de salários ou suspensão de contratos de trabalho, nos quais quase 10 milhões de trabalhadores foram inseridos no programa e 43% destes foram na forma de suspensão de contratos. Tanto no caso da suspensão de contratos como redução de jornada, o seguro-desemprego pago pela União foi a forma de não haver perda de renda do trabalhador e isso gerou um desembolso federal de mais de R$ 33 bilhões de reais.

Findado o ano de 2020 ambos os programas acabaram e agora pautam as discussões nas associações empresariais, no Congresso e no Executivo federal. Os técnicos do governo projetam e criam cenários possíveis para retomada ou mudanças de programas, associações empresariais insistem para que os benefícios sejam retomados, os presidentes eleitos para a Câmara e Senado indicam que estes benefícios, principalmente o auxílio emergencial, são fundamentais para a manutenção das condições de vida da população mais carente.

Fato é que o Estado fechou o ano de 2020 com um déficit primário de em torno de R$ 850 bilhões de reais e uma dívida bruta de quase 90%. Resumindo mas sem querer reduzir nossa análise, é dizer que a cada R$ 1 real de receita, R$ 0,90 já estão comprometidos com gastos. O desafio é como encontrar formas de mediar o atendimento à sociedade, que hoje necessita de recursos para sua subsistência e continuar consumindo, seja através do auxílio emergencial, bolsa família ou qualquer outro programa social atual ou reformado, e a manutenção dos empregos e negócios.

Tudo isso ocorre porque aquilo que tanto esperávamos, que era termos passado pela pandemia e estarmos retomando nosso trabalho e relações a contento, ainda não aconteceu. Alento da vacina temos, falta termos a velocidade de imunização que possa concretizar uma expectativa positiva para a vida e para a economia.

Por fim, o Estado terá que continuar cumprindo seu papel de Estado, fundamentalmente com ações que visem a manutenção da vida e da economia, sendo redundante propositadamente, e atuando de forma eficiente e eficaz, ou seja, fazendo o certo para as pessoas e negócios certos.