OS FURA-FILAS

opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

OS FURA-FILAS

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Lei de Gérson, ‘’Leve vantagem você também’’. Longe vai o tempo em que uma marca de cigarros usou o tri campeão de 1970 como garoto propaganda e ele imortalizou a frase acima, que mostra bem o espirito de muitos brasileiros.

Nos últimos dias notícias de pessoas furando a fila para a vacina têm se multiplicado. ‘Cidadãos de bem’ que usam suas relações e suas facilidades para receber uma vacina destinada a outra pessoa, que tem mais risco de adoecer, e quem sabe morrer por causa disso. Nenhum drama. Nenhum questionamento novo ou ético. Danem-se os outros. Tenho ‘’poder’’, vou utilizar dele. É triste.

Os casos aumentaram em vários estados. É a lei de Gérson. Mas, verdade seja dita, estes não foram os primeiros neste processo atual contra a COVID-19.

A questão começou há algumas semanas quando os procuradores do Ministério Público de São Paulo requisitaram vacinas, que ainda não estavam aprovadas pela ANVISA, para si e para seus funcionários. Foi-lhes negado. Mas foram seguidos pelo Juiz do Superior Tribunal de Justiça, que se acharam mais em risco, que por exemplo, profissionais da saúde que estão não linha de frente.

Felizmente, estas solicitações foram barradas. Há luz no fim do túnel. O Ministério da Saúde estabeleceu critérios para distribuir as vacinas à medida que elas estão sendo disponibilizadas.

O número disponível até o momento está muito aquém do desejado. Mas parece haver um esforço de algumas autoridades, a fim de conseguir mais e mais doses, para que o maior número de pessoas possa ser imunizado.

Sou da opinião de que TODOS os brasileiros devem ser vacinados. Então, temos o desafio de providenciar 420 milhões de doses. Mas cada um sendo vacinado no seu momento.
Sem furar filas. Sem levar vantagens. Com cidadania. Com empatia.