Alta no preço da soja atrai novos produtores

agronotícias

Alta no preço da soja atrai novos produtores

O grão da soja registra níveis recordes de preço e acumula alta perto de 90% em um ano

Por

Alta no preço da soja atrai novos produtores
Em Boqueirão, o agricultor Eledir Pappen trocou lavouras de tabaco pelo cultivo da soja e pretende ocupar 100 hectares. Créditos: Felipe Neitzke
Vale do Taquari

A saca de soja vendida a R$ 84,00 em janeiro do ano passado, agora é comercializada por R$ 157,00, alta de 86,9% em doze meses. O acompanhamento de preços é feito pela Emater/RS-Ascar que registra também o aumento da área cultivada.

No Vale do Taquari, a soja ocupa cerca de 18,8 mil hectares, um acréscimo de 6,6 mil ha nos últimos dez anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produtividade média é de 3,3 toneladas/ha.

“Em função do preço do grão, ocorreu um aumento da área semeada em todo o RS, principalmente na região da Campanha Gaúcha”, explica o engenheiro agrônomo da Emater, Alano Tonin.

O aumento de área não é tão expressivo no Vale, em função da grande competição com milho silagem, explica o técnico da Emater. “Muitos produtores da região estão arrendando terra, e eventualmente comprando, em regiões com área propícia à cultura de soja. Estamos falando em áreas maiores que 100 ou 200 hectares”, observa Alano.

Na safra passada, o fator climático fez a produção de soja encolher 45,8% em relação à expectativa inicial. No atual ciclo o cenário é diferente, indicando boa produtividade por hectare.

“A cultura praticamente não teve prejuízos até o momento, mas estamos num momento crítico, onde a maioria das áreas encontra-se no período reprodutivo, mais sensível ao déficit hídrico, portanto, estamos num período decisivo”, comenta o engenheiro agrônomo da Emater.

Troca de cultura

Em busca da diversificação nas propriedades rurais, produtores de tabaco estão migrando para o cultivo de grãos. A área com soja, em Boqueirão do Leão, saltou de 10 para 600 hectares.

O agricultor Eledir Pappen ingressou na cultura da soja em 2017, cultivando 10 hectares. “Naquela época, a saca de soja era entregue à cooperativa por R$ 67,00. No ciclo atual tenho parte negociada a R$ 100,00 e o restante devo vender a R$ 150,00”, revela o agricultor.

Apostando em bons resultados e incentivado pela alta no preço, o agricultor vem ampliando à área cultivada, com meta de ocupar 100 hectares. “No ano passado a seca prejudicou muito, tive de acionar o seguro agrícola. Mas a safra atual promete ser a melhor de todas e vou recuperar esse prejuízo”, projeta.

Pappen investiu R$ 130 mil na compra de equipamentos. “O custo de produção por hectare não teve muita variação, se mantendo a R$ 2,5 mil. Na cultura do fumo o principal problema é em relação à mão de obra”, aponta.

Dos 400 mil pés de tabaco, Pappen cultiva ainda 40 mil. “O milho não deu certo, mas a soja é uma boa alternativa de diversificação e pretendo encerrar totalmente a produção de tabaco”, comenda Eledir.