Heranças malditas

opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

Heranças malditas

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Começam a acumular reclamações de prefeitos que assumem o comando das administrações no lugar de seus algozes políticos. Parques de máquinas sucateados ou insuficientes, páginas virtuais ou arquivos apagados, caixa raspado, etc.

Ainda há quem insiste neste tipo de política, adotando práticas perversas para prejudicar quem assume os cargos.

Na verdade, se esquecem que os maiores prejudicados não são o novo prefeito ou a sua equipe, mas sim, a população, que fica à mercê do serviço.


Pagamento de última hora

Em Arroio do Meio, Danilo Bruxel do PP, que voltou ao comando do Executivo, encontrou duas surpresas mais pontuais. A primeira, foi a página do facebook da prefeitura ter sido apagada e toda a comunicação que se fazia entre governo e população por esta rede social acabou encerrada. Além disso, e aí o maior incômodo, foi o uso de R$ 3,3 milhões de recursos existentes para quitar empréstimo de R$ 5,5 milhões que fora contraído no ano de 2019 e que vinha sendo pago de forma parcelada.

Para a atual equipe administrativa, o ex-prefeito Klaus Schnack quitou a dívida – que poderia continuar sendo paga em prestações – para raspar o caixa e dificultar a governabilidade ou os investimentos imediatos por parte de quem está chegando ao poder.


Parque de máquinas sucateado

Gilmar Southier, prefeito eleito em Travesseiro, publicou vídeo nas redes sociais ainda no fim de semana, se queixando do estado do parque de máquinas herdado do governo de Genésio Hoffstetter. Além de insuficiente, muitas máquinas, caminhões e veículos de passeio precisam de manutenção antes mesmo de serem utilizadas, confirmou o prefeito à coluna ontem.

Sautier também se incomodou com outra herança. No seu primeiro dia de governo, segunda-feira, dia 4, teve que chamar ao gabinete e exonerar sete cargos de confiança, que pela lógica deveriam ter sido exonerados pelo prefeito anterior. “Foi uma situação desagradável e que gerou um mal estar. Demitir pessoas no primeiro dia não é produtivo”.


Já no outro lado da ponte

Fábio Mertz, o novo prefeito de Marques de Souza, recebeu a chave da prefeitura 10 minutos antes da virada do ano. Edmilson Dorr sentiu muito a derrota nas urnas, tanto é assim que externou sua insatisfação várias vezes depois da eleição.

Fábio Mertz diz que recebeu a administração um tanto quanto quadrada e precisa de muito ajuste e alinhamento nos primeiros dias.

O que pesa a favor do ex-prefeito Edmilson Dorr foi o enxugamento da máquina pública que promoveu no início de seu governo e os investimentos feitos na infraestrutura do município. Se a organização da parte administrativa não está das melhores, ao menos Fábio Mertz herda um governo enxuto e com o melhor parque de máquinas da história da cidade.


Voo maior

Paulo Kohlrausch, prefeito reeleito em Santa Clara do Sul pela quarta vez, deve ser alçado à presidência da Amvat no exercício deste ano. A reunião que decide a diretoria da associação está marcada para o dia 28 de janeiro.

Além de ser fruto de um acordo que promove rodízio dos partidos no comando da Amvat, a presidência é parte do projeto político de Kohlrausch, que deve ser um dos candidatos do MDB para deputado estadual ou federal na eleição de 2022. Entre outras coisas, presidir a Amvat dará ao prefeito da cidade das flores a visibilidade e a vitrine que não terá se ficar apenas governando o município de sete mil habitantes.


Por falar em voo maior

Percebe-se, de forma bem pontual, os movimentos dos partidos e dos próprios políticos, na tentativa de fincar seus nomes para a campanha eleitoral de 2022. De um lado é salutar existir proponentes em lutar pelo aumento da representatividade política regional. Por outro, preocupa o grande número de pré-candidatos que já aparecem no retrovisor. Em 2012 foram 16 e o resultado já sabemos. Para se ter uma idéia, só o MDB tem pelo menos cinco: Paulo Kohlrausch, Rafael Mallmann, Sidnei Eckert, Márcia Scherer e ainda o atual deputado Edson Brum.

Como escrevemos outro dia, ou os partidos – todos eles – se alinham diante de um plano regional para efetivamente conseguirmos emplacar nomes com êxito, ou faremos, mais uma vez, das eleições de 2022, trampolim para a promoção de alguns nomes ou ainda, para marcação de território e atender conchavos eleitorais.

A região precisa fazer um grande movimento de articulação estratégica, alinhando partidos, candidatos e entidades. Ter mais deputados eleitos no Vale há de ser uma escolha nossa.