O que fica de 2020?

opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

O que fica de 2020?

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Se fizermos o exercício de definir 2020 em uma palavra, qual seria para você? Enquanto escrevo, penso em inúmeras expressões, mas nenhuma parece ser suficiente para traduzir o ano que se despede hoje.

Há exatos 365 dias, me encontrava na expectativa de assumir este espaço e também a produção do caderno Você. Em meio ao entusiasmo de iniciar a minha trajetória no Grupo A Hora, imaginava inúmeros cenários possíveis para 2020, mas nenhum incluía as dificuldades que passamos.

Não me recordo de um ano tão complexo quanto este. Além de todos os percalços pessoais que cada um de nós enfrentou para chegar até aqui, a pandemia evidenciou e fortaleceu obstáculos que já enfrentamos há muito tempo. Assim como a corrupção e a desigualdade social históricas, é preciso destacar também a falta de empatia de alguns, que ficou evidente, ainda mais nos últimos meses.

Não vou apoiar o discurso de que é preciso transformar as dificuldades em aprendizado. Resiliência é algo que já provamos ter, o que precisamos agora é de consciência de classe e responsabilidade.

Falar em aprendizado diante de mais de 190 mil vidas perdidas é hipócrita e desumano. Adotar este discurso é aceitar um anestésico para tolerar o intolerável.

Para garantir que 2020 não se repita, é preciso força. Para ter força, é preciso esperança. Por isso, a última edição do ano convidou 20 pessoas para compartilhar esperança por meio das vitórias que ficarão depois de um ano tão difícil.

Tenho o privilégio de ter vivido um 2020 em segurança, perto de quem amo. Dois projetos muito especiais me acompanharam ao longo do ano, que também aproximou gente que não só fez a diferença, mas se tornou indispensável. E, em seus últimos instantes, 2020 também me trouxe um grande presente.

Ainda não consigo definir o ano em apenas uma palavra. Mas, o que fica para mim é a esperança de dias melhores, a consciência de estar do lado certo, a felicidade de poder compartilhar a vida, principalmente quando ela não é tão simples e fácil, com quem não solta a nossa mão.

Mas, principalmente, 2020 se despede com a certeza de que não podemos deixar de lutar por um mundo melhor.

O futuro depende de nós.