Vamos decidir ter deputados do Vale?

opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

Vamos decidir ter deputados do Vale?

Por

Lajeado
Imec - Lateral vertical - Final vertical

Os leitores devem estar se perguntando: mas os eleitos de novembro sequer assumiram e lá vem um colunista de jornal falar na eleição de 2022? Pois é, parece mesmo estranho. Eu explico, e vou tentar construir uma narrativa plausível e convincente sobre a minha provocação.

Todos ou quase todos – por que generalizar sempre é perigoso – os prefeitos e vereadores eleitos assumem algum tipo de compromisso com os atuais deputados federais e estaduais. Uma espécie de rabo preso em virtude do apoio que lhes foi emprestado na campanha eleitoral que encerrou no dia 15.

Afora isso, as “benditas” emendas parlamentares são frequentemente usadas como moeda de troca pelos deputados para prenderem prefeitos e vereadores nas eleições vindouras. Ou seja, encaminham verba, mas a condicionam ao apoio na campanha.

Essa é a triste realidade que tem tirado, ao longo das últimas décadas, o protagonismo dos candidatos do Vale do Taquari, que tem ficado totalmente órfão na câmara em Brasília e, parcialmente, na Assembleia Legislativa.
Mas e por que trago o assunto hoje, as se as eleições são apenas em 2022? Porque dependerá muito dos próximos prefeitos e vereadores do Vale do Taquari a eleição de deputados locais. Urge um grande movimento entre os líderes partidários, especialmente os com maior expressão regional, para fechar acordo em torno de algumas candidaturas. E esta é uma decisão que precisa ser tomada logo. De uma vez por todas, nossos prefeitos e vereadores eleitos para os seus cargos precisam colocar o interesse regional acima do interesse dos partidos que representam. E isso significa fechar as portas para os pedintes de plantão, para os que fazem das emendas (nosso dinheiro) moeda de troca e fechar questão para com nossos candidatos.

Ou os líderes políticos do Vale, ao lado dos líderes classistas e empresariais, se unem em torno de uma estratégia local e regional, ou em outubro de 2022 estaremos chorando, mais uma vez, pela nossa falta de representação em Porto Alegre e em Brasília.

Ter deputados daqui depende da nossa decisão. Lanço a ideia e antecipo que o Grupo A Hora iniciará, ainda nos primeiros meses de 2021, movimento para estimular a construção de uma estratégia regional. O Vale dos Alimentos, pujante, em franco desenvolvimento, não pode mais ser medíocre em sua representação nas esferas políticas do centro do poder.

Então, vamos decidir ter deputados locais em 2022? A primeira decisão deve ser dos partidos, dos prefeitos e dos vereadores. A decisão do eleitor será consequência deste acordo. E a hora de falar e decidir sobre o assunto é agora.


Embate à vista

A câmara de vereadores de Lajeado pegará fogo a partir de janeiro. As opiniões dos atuais vereadores, especialmente os reeleitos, contrastam, e muito com a opinião de boa parte dos novos que foram alçados ao cargo. Nas entrevistas concedidas à Rádio A Hora 102.9, desde semana passada, onde os 15 eleitos serão ouvidos, fica clara a divergência de pensamento e de visões sobre o próprio parlamento.

Os veteranos tentarão manter os atuais formatos e sistemas enraizados no Legislativo, enquanto os novatos, vão propor inovações, inclusive cortando cargos e até mesmo fazendo reforma administrativa. Aliás, os novos terão de resistir às investidas e às pressões que virão de quem quer manter as coisas como elas estão hoje.

Os embates que já começaram nos microfones da rádio vão invadir o parlamento em janeiro. Esperamos que todos, os 15 eleitos ou reeleitos, sejam sensíveis ao clamor popular e coloquem os interesses coletivos acima dos interesses pessoais ou da minoria favorecida.


24 horas

Em Cascavel, cidade com cerca de 300 mil habitantes no oeste do Paraná, foi decretado que o comércio municipal pode funcionar 24 horas por dia. E toma a decisão a fim de evitar aglomerações, já que podendo funcionar a qualquer horário, os consumidores terão mais opções e flexibilidade para ir até o comércio. A medida vale de 19 a 30 de dezembro.

Certo ou errado, trata-se de uma decisão no mínimo diferente de todas que temos visto até aqui. E pensando bem, faz todo sentido. Não seria dos gestores das nossas cidades pensarem em saídas parecidas?

Em tempo: ninguém é obrigado a abrir ou estender seu horário. A prefeitura apenas autoriza funcionar qualquer hora do dia. Abre quem quer e a hora que quiser.