Escolhas: você faz as suas?

opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

Escolhas: você faz as suas?

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Lajeado
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Se pararmos para pensar nas decisões que tomamos desde que acordamos: Saio da cama? Vou ao trabalho? Que roupa uso? O que vou comer no almoço? (Em quem voto?) E as que envolvem sua profissão: Contrato? Promovo? Demito? Invisto? São inúmeras as escolhas que temos de realizar ao longo do dia.

O que por vezes não nos damos conta é que a direção que tomamos, o que decidimos, o que escolhemos, não é realmente uma escolha pessoal. Alguns têm me questionado sobre algumas decisões que tomei ou deixei de tomar nos últimos dias. Talvez nada seja tão difícil do que saber decidir. A indecisão é fatal, principalmente em momentos de incerteza, de ambiguidade, como a que vivemos. Há quem defenda que se faça uso da racionalidade, que decidir nada mais é do que a capacidade de usar a razão para conhecer e julgar, elaborar pensamentos e explicações e é ela (razão) que habilita o homem a escolher entre as alternativas, a pesar os riscos decorrentes e as consequências e, então, efetuar escolhas, ou seja, decidir consciente e volitivamente. No entanto, como diz Berger, professor de Wharton School, 99,9% das nossas escolhas são afetadas pelos outros.

Em boa medida subestimamos a medida na qual a influência social afeta nosso comportamento e, por extensão, nossas decisões. As narrativas intersubjetivas, construídas pelos grupos dos quais fazemos parte, são como um imã, atraindo alguns e repelindo outros, fazendo nos comportar como manada (veja os movimentos de aglomeração mesmo que ainda vivamos um período pandêmico). Tendemos a achar que estamos no comando de nossas escolhas, no entanto, desde o que comemos, o que vestimos, é influenciado pelo ambiente no qual estamos inseridos.

De acordo com Harari, o “livre-arbítrio só existe em histórias imaginárias inventadas pelos humanos”, os processos bioquímicos, “eventos neurais no cérebro indicam que a decisão começa – de algumas centenas de milissegundos a alguns segundos – antes que se tenha a consciência da escolha”, ou seja, não escolhemos nossas vontades, somente as sentimos e agimos. Por que me ocorreu tal pensamento? Escolhi tê-lo e então simplesmente surgiu? Se somos senhores de nossas escolhas tente não pensar em nada e veja se consegue. Atualmente já se fala que decisões são tomadas por um computador qualquer, com base em algoritmos, e que nós, sofrendo de ignorância, anuímos com aquilo que escolhe. Será? Ser uma voz discordante, deixar as pessoas à vontade para expressar sua opinião e agir segundo seu julgamento, seria importante, pois as vezes as pessoas não querem ser iguais, querem ser diferentes, porém se submetem ao ambiente. Decidem ser apenas mais um. Acreditamos que quanto mais pessoas fizerem uma escolha melhor ela será, mas nem sempre isso é verdadeiro.

Não existe jeito certo ou errado de ser, de decidir, o que existe é o poder do ambiente que, despertando o instinto de sobrevivência, comanda nossas escolhas. A influência social é realmente algo poderoso. Sendo assim: Você faz as suas escolhas? Aproveitando, desejo um Bom Natal e que tenhamos um ano de 2021 melhor e fazendo boas escolhas.