25 de novembro

opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

25 de novembro

Por

A cada duas horas, uma mulher foi assassinada no Brasil em 2018. A informação é Atlas da Violência 2020, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com dados que compreendem o período de 2008 a 2018.

Conforme o documento, apesar do número de feminicídios ter reduzido 8,4% entre 2017 e 2018, ao verificarmos o cenário da última década, veremos que a situação melhorou apenas para as mulheres não negras.

Estes números destacam apenas o ápice da violência enfrentada pelas mulheres todos os dias. Antes do feminicídio, há ainda uma série de agressões físicas e psicológicas que, quando não culminam no assassinato, nos matam aos poucos.

Nos primeiros seis meses de 2019, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), serviço oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, recebeu 46.510 denúncias, entre relatos de ameaça, cárcere privado, feminicídio e tentativa de feminicídio, tráfico de mulheres, violência doméstica e familiar, violência física, moral, obstétrica, patrimonial, psicológica, sexual e virtual, entre outras.

Boa parte destas violências vêm de dentro do próprio lar, de quem deveria trazer afeto e respeito, e, por isso, muitas vezes são invisibilizadas. A violência contra a mulher é, provavelmente, a principal forma de violar seus direitos humanos, uma vez que atinge seu direito à vida, à saúde e sua integridade física. Além disso, é uma das bases da desigualdade de gênero.

Nesta semana, o dia 25 lembrou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, data anual estabelecida para denunciar a violência contra as mulheres e exigir políticas para sua erradicação.

Na contramão dos números que abrem este texto, nesta mesma semana a Escócia se tornou o primeiro país do mundo a oferecer produtos menstruais gratuitos de forma universal. Pode parecer pouco, mas é um passo para diminuir as “pequenas” violências enfrentadas todos os dias.

A violência contra a mulher é inerente à desigualdade social, o que torna países como o nosso um lugar ainda mais perigoso para as mulheres. Nossa cultura colonialista e racista também contribui para o dado apresentado lá em cima: o Brasil é um país ainda pior para mulheres negras, a maioria da nossa população.

Ainda há muito a fazer para mudar essa realidade. O dia 25 de novembro é importante, mas não basta. Precisamos atacar o opressor em sua base. Machismo e misoginia, assim como o racismo, a xenofobia e tantos outros preconceitos são traços culturais ensinados pela sociedade.

A resposta, para um mundo mais justo e seguro para se ser mulher é, assim como para grande parte dos problemas do mundo, a educação.