Tolerância

opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

Tolerância

Por

Lajeado

Autocuidado é uma palavra cada vez mais frequente no meu dia a dia. Ela sempre existiu, mas há algum tempo tem ganho popularidade nas discussões, nas redes sociais e na mídia, de forma geral. Desde que me lembro, nunca falou-se tanto na necessidade de cuidar de si mesmo.

Quando me pergunto o porquê disso, penso que tempos difíceis exigem um “parar e recalcular a rota”. Há cerca de um ano abracei a terapia como parte da minha rotina e esse gesto de autocuidado se tornou fundamental para enfrentar não só os desafios de se descobrir e se entender como adulta, como também o meu porto seguro para viver em um mundo caótico e difícil.

Autocuidado exige autoconhecimento. Entender as necessidades do teu corpo e da tua mente são fundamentais para compreender a melhor forma de cuidar de si. Autoconhecimento é um processo. Longo, por vezes doloroso, mas também essencial e muito gratificante. Autocuidado é hábito, ato de amor próprio e pelo próximo.

A questão que gostaria de levantar aqui é que existem inúmeras formas de autocuidado. A terapia, para mim, sempre será a principal delas, além do exercício físico e da busca por uma alimentação saudável, que são fundamentais não só para o corpo, mas também para a mente. Infelizmente, são um privilégio ainda inacessível para muita gente.

Durante a construção da edição do último fim de semana do Caderno Você, que foi pensada por mim e pela colega Jéssica R. Mallmann há meses, transitamos entre inúmeras crenças que botaram em jogo a minha capacidade de acreditar em coisas que estão além do ver ou de explicações lógicas.

Foi uma experiência desafiadora, desconfortável (no bom sentido), muito divertida e gratificante. Desta forma, te convidamos a se aventurar pelas páginas seguintes e aprender com quem se dedica a estudar a energia dos cristais, os astros e a forma como a conexão com a natureza se mescla com a construção e percepção do próprio ser.

Neste processo, compreendi que a fé também pode ser um elemento de autocuidado. Apesar não acreditar em nenhuma religião, sempre acreditei na importância da fé para quem a pratica. Indiferente do deus, entidade ou crença, se a tua fé não te cega e respeita a existência e as escolhas do outro, ela é válida. Se te traz conforto e te ajuda a ser resiliente, ela é válida. Se te ajuda a olhar para o próximo com amor e ser alguém melhor, é mais válida ainda.

O título deste texto é tolerância, mas poderia ser “respeito”.

Também poderia ser: antes de desmerecer ou criminalizar, se proponha a conhecer. Ouça sem julgamentos, exercite a escuta afetiva. Entenda a importância do gesto para quem nele acredita. Para muita gente, acreditar em algo é também autocuidado. Depois, você pode continuar não acreditando, mas ao menos, cumpriu seu papel como ser humano.