O Brasil e a eleição norte-americana

opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

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O Brasil e a eleição norte-americana

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As duas potências que venceram a segunda guerra mundial, Rússia e Estados Unidos, logo após seu término (1944) asseguraram o maior número de aliados, cada qual. A Rússia formou a União Soviética e dominou, sob o ideário comunista, outros países. Seu avanço sobre a América Central e a América do Sul encontrou uma ponta de lança estratégica em Cuba. Seu avanço, inclusive sobre o Brasil, é obstado pela contraposição dos Estados Unidos, com ideário capitalista, diametralmente oposto ao da Rússia.

O alinhamento mundial entre estas duas ideologias perdura: o comunismo (centralizador, do Estado máximo, cerceamento das liberdades individuais, de expressão e de crenças religiosas) e o capitalismo (do Estado mínimo, democrático, da liberdade ampla de expressão e de iniciativa). Com o esfacelamento da União Soviética e do seu bloco do “leste europeu”, a liderança comunista desloca-se para a China que, com modelo político e econômico centralizado – alicerçado em um regime de força – e calcada em sua cultura milenar, promove seu rápido crescimento econômico e vai, paulatinamente, estendendo seus tentáculos mundo afora.
Está em fase final a eleição norte-americana, com a escolha do novo Presidente da República (entre Trump e Biden), envolta em discussão quanto à lisura do processo. O que não entendo é o escândalo de que estão tomados órgãos importantes da imprensa mundial, inclusive no Brasil, com este fato. Vejo com naturalidade. Afinal, este é o processo democrático. As dúvidas, são dirimidas na justiça. A outra opção é aderir-se a um regime comunista, exemplificado por Venezuela, Cuba, China, Coréia do Norte, dentre outros. Ali, por certo, jamais haverá espaço para fatos como estes que envolvem a definição do novo Presidente norte-americano. Os mandatários são definidos por imposição da força, do cerceamento da liberdade de escolha do povo. Jamais haverá espaço para uma disputa Trump/Biden, com a inconformidade de quem perder.

Não gostava de Trump. Mas gradativamente apreciei seu princípio nacionalista, de defesa da livre iniciativa e do fortalecimento da Nação que lidera a manutenção de um regime democrático. Isto é bom para o Brasil, na medida em que acharmos importante a continuidade, aqui, dos mesmos princípios de liberdade política, econômica e de expressão. Os Estados Unidos também são importantes parceiros econômicos. No agronegócio, nossos competidores, o que é bom porque estimulam nossos atores deste setor – sob o manto da livre iniciativa – a avançar em tecnologia, inovação e produtividade.

Quanto a ser Trump ou Biden seu próximo Presidente, não tenho predileção. A permanência de Trump – pouco provável – nos favoreceria porque já há um alinhamento com ele. Com Biden, este caminho deverá ser novamente percorrido. Também porque não incomodou o Presidente Temer nem tampouco o atual Presidente Bolsonaro. Quanto a Biden, não gostei das referências intervencionistas que fez à Amazônia. Uma questão de soberania nacional nossa.

O que dói como brasileiro, é ver os mesmos segmentos de oposição contumaz ao Presidente da República, desde que assumiu o poder, visando apenas desgastá-lo (sem reconhecerem a importância da manutenção do nosso processo democrático), torcerem por Biden porque pensam que a derrota de Trump enfraqueceria Bolsonaro, na disputa em 2022. E o fazem não pensando no bem maior do Brasil e dos brasileiros. Mas apenas olhando para seus interesses pessoais e corporativos.

Os reflexos econômicos e sociais da eleição norte-americana em nosso meio são fenômeno modal, negociável. O importante é a democracia não manipulada ser mantida em nosso meio. Se Bolsonaro ou outro ascendendo ao poder em 2022, é relevante mas secundário.