Vamos devolver a coragem aos filhos

opinião

Adair Weiss

Adair Weiss

Diretor Executivo do Grupo A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

Vamos devolver a coragem aos filhos

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Atualizado sábado,
03 de Outubro de 2020 às 08:11

Vale do Taquari

Quando começou a pandemia, um surto avassalador tomou conta de expressiva parcela da população: o medo. Este causou mais dano que a própria covid-19, a qual já matou quase 150 mil pessoas no Brasil. O medo mata silenciosa e consequentemente. Foi por causa do medo que pessoas ficaram em casa e, sequer, diagnosticaram ou trataram doenças severas como câncer, pneumonia, pressão alta, diabetes e tantas outras.

Profissionais de saúde adoeceram pelo estresse da preocupação, jovens e crianças entraram em pânico mediante o sensacionalismo protagonizado por setores da mídia e potencializado pela polarização ideológica no país.

Enquanto isso, outra enfermidade perigosa avançou silenciosamente sobre as mentes já debilitadas: a depressão. É sobre ela que devemos mirar nossas atenções, ainda mais em um mundo conectado 24 horas na internet, onde o convívio parece ser proibido para os mais extremistas.

Passados mais de seis meses, é hora de olhar para trás e para frente; fazer uma reflexão sensata, sem paixões, nem egos ou vaidades; é hora de resgatar o que muitos perderam: a coragem para seguir em frente, com responsabilidade e sensatez.

Um exemplo acompanhamos nesta semana. Os alunos e professores das escolas infantis de Lajeado retornaram, ainda que parcialmente, às salas de aula. Pesquisas sugerem desde o princípio, mas os números e estatísticas atuais eliminam suspeitas e confirmam: as crianças são quase “imunes” em relação às complicações do coronavírus. Até mesmo o contágio é mais difícil, se observados os dados do Rio Grande do Sul, onde o número de menores com até 9 anos vítimas foi de cinco crianças, em um contingente de sete mil positivados.

Desde o princípio, a empatia, o equilíbrio e a coragem foram palavras utilizadas pelos mais sensatos. Nesta coluna e nos canais do Grupo A Hora, insistimos e hoje repetimos. Passado mais de meio ano, o vocabulário não precisa mudar, pois nunca foi tão necessário se colocar no lugar de crianças confinadas em casa, em frente às plataformas digitais, e privando-as do convívio de seus coleguinhas ou amiguinhos. Também preciso ter empatia para com os pais que “movem montanhas” para acomodar seus filhos nas casas de vizinhos, amigos ou avós, pois o trabalho no emprego os espera.

Não há dúvidas de que o equilíbrio segue soberano para equacionar os extremismos polarizados entre negacionistas e alarmistas. Apesar das provas incontestáveis dos dois lados, ainda resistem os radicais, incapazes de exercitar a empatia e a sensatez.

Por fim, encorajar nossos professores, alunos e pais. Devolver às crianças a esperança e leveza da vida para que possam sair de casa em paz, com espírito tranquilo e sereno. Orientar e proteger, sim, mas não amedrontar.

Está provado que a covid mata. Não é uma simples gripe. Mas, ela não é o fim do mundo como alguns tentaram “vender”.

Doenças chegam e passam. De tempos em tempos, a natureza se recompõe e a sociedade se recicla, ressignifica e fortalece para enfrentar seus medos com ações concretas.

É assim, após as guerras e pós-epidemias. Outubro de 2020. Já era tempo de darmos um passo adiante. Sobram informações e dados para mirar o horizonte com esperança, serenidade e firmeza de espírito para encarar a realidade.

Parabéns aos gestores públicos que, apesar da demora, tiveram a coragem de retomar as aulas nesta semana.

Vamos em frente!