opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

Terminal Multimodal Porto de Estrela

Por

Lajeado

Nosso Estado, por ser situado na parte mais ao sul do Brasil, é bom para se viver. Por seu povo, clima, topografia, culinária e a possibilidade de ter-se atividades econômicas diversificadas. Quanto ao povo, uma miscigenação de raças que lhe dá afabilidade, paixão, beleza e uma cultura inigualável. Quanto ao clima e topografia, temos tudo: a planura do pampa, o planalto da região noroeste, a região central e nossa Serra, margeados por um litoral que nos mitiga o verão escaldante. Quanto à culinária, deixo no imaginário e na prática de cada um as variadas gostosuras que proporciona. Contudo, no meio deste “nirvana”, temos um porém: o futuro da atividade econômica, essencial para nosso bem-estar.

Já na Revolução Farroupilha víamos nosso carro-chefe, o charque, perder competitividade pelos altos impostos federais, em contraposição à menor taxação do charque uruguaio e argentino. Também pela distância do mercado consumidor: o centro do país e seus escravos. O centralismo orçamentário da União continua mas, parece, começa a ser rediscutido num novo Pacto Federativo.

Restam outras causas, ao nosso alcance, a tirar-nos competitividade. Duas preponderantes: elevados tributos estaduais para compensar a gradativa deterioração das contas públicas e o alto custo logístico dos nossos produtos, por estarmos tanto ao Sul do país. Imaginem o quanto mais viajam as matérias primas essenciais às nossas indústrias, com relação às estabelecidas, por exemplo, em São Paulo e Paraná. E, no contra fluxo, o quanto mais viajam nossos produtos acabados, em relação aos produzidos no centro do país, para alcançarem o mercado nacional (Rio/São Paulo, Norte/Nordeste) e o mercado externo. E, este deslocamento de mercadorias centrado no transporte rodoviário cujos operadores lutam com dificuldades como estradas precárias, combustível caro, falta de caminhões para reposição da frota, concorrência.

Urge a solução destas questões. Empresas estão indo embora, outras não estão vindo e, quem não pode se relocalizar em outros Estados, está sujeito a quebrar. Entraremos numa espiral descendente indesejável. Quanto aos tributos estaduais, estão em meio à uma rediscussão importante. Quanto à logística, o presidente Ernesto Geisel dotou-nos, nos anos 70, de mecanismo que é uma das soluções: a central intermodal “Porto de Estrela”. Bastante utilizado em outros países, alia a agilidade rodoviária à diluição dos custos com transporte via modais ferroviário e hidroviário, pelos grandes volumes transportados. Só que, aqui desmontaram a malha ferroviária e os rios assorearam impedindo a navegação.

Agora oferece-se uma oportunidade ímpar para o Estado: a prefeitura de Estrela obteve, da União, o uso dos 40 hectares junto ao Porto e a possibilidade da privatização de suas operações. Ali poderão instalar-se empresas, formando um grande entreposto de insumos e de produtos acabados. Poder-se-á voltar ao uso da hidrovia, interagindo com o modal rodoviário (BR-386 já concedida à iniciativa privada e as rodovias estaduais, em fase de concessão). Quanto à ferrovia, basta o refazimento do ramal até Colinas, dali acessando Porto Alegre e São Paulo. Some-se o aeródromo, próximo, com projeto de modernização tramitando em Brasília. Enfim, a mesa está posta. Basta termos competência para nos deliciarmos do que ali está. Ou, vermos passar ao largo, mais esta oportunidade.

Tudo indica que faremos uma construção positiva. Próximo dia 2 acontece a discussão inicial entre potenciais investidores e usuários para a formatação de um projeto que nos leve à indispensável central logística junto ao Porto de Estrela. Competência para levar tudo isto adiante, temos.