opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Implacável

Por

Lajeado

A campanha eleitoral inicia oficialmente neste domingo. E o eleitor precisa ser implacável na fiscalização dos candidatos. O eleitor precisa manter tolerância zero com os candidatos que tentarem burlar as regras pré-estabelecidas pela Justiça Federal. O eleitor é o principal agente fiscalizador e precisa colocar em prática o seu dever como cidadão e não tolerar, sob qualquer hipótese, atos que atentem contra a saúde da nossa democracia. O eleitor precisa denunciar todo e qualquer ato ilícito cometido pelos candidatos. O eleitor precisa ser o protagonista!

Os candidatos a prefeito e vereador estarão autorizados a pedir votos e divulgar propostas nas ruas, na internet e na imprensa escrita a partir deste domingo. A propaganda gratuita em rádio e televisão só terá início em nove de outubro, mas até lá não faltarão contatos entre candidatos e eleitores. Da mesma forma, não faltam regras para esses mesmos contatos. Os encontros não podem ser regados à carne e cerveja custeados por partido, por exemplo. Ou seja, nada de aceitar – ou pagar – aquele “galetinho” em troca de voto ou apoio, talkei?

Nas próximas semanas, serão muitas promessas de cargos, favores e “otras cositas más”. Não aceite. A eleição e tampouco a administração pública devem servir como balcão de empregos ou favores. A máquina é do povo, e só ao povo ela deve servir. As prefeituras e câmaras legislativas não pertencem aos partidos, correligionários ou agentes públicos. Logo, ninguém está autorizado a prometer emprego em troca de voto. E quem o fizer não é digno de estar à frente das nossas prefeituras ou câmaras legislativas.

O eleitor precisa ser implacável com todo e qualquer candidato ou correligionário que optar pela difamação para ganhar a eleição. O eleitor não pode aceitar o jogo sujo que tanto mancha a nossa política. O eleitor precisa ser implacável com todos que optarem pelo ataque em detrimento às necessárias propostas. O eleitor precisa cobrar propostas concretas e evitar quem nada promete ou mesmo quem promete o impraticável. O eleitor precisa ser implacável com todas essas práticas maquiavélicas e, infelizmente, naturalizadas.

Por fim, o eleitor precisa fiscalizar com total afinco os candidatos que buscam a reeleição. Quem está no poder, e isso não é novidade para ninguém, costuma entrar mais forte na disputa eleitoral. De certa forma, é um processo natural. Mas não são poucos os que abusam desse poder público. Facilitar consultas médicas, garantir inscrição em escolas públicas, adiantar processos burocráticos ou mesmo garantir privilégios com aquelas cargas de brita ou terra são práticas bastante corriqueiras em períodos eleitorais. É hora de cessar!


Arki em Lajeado

O Ministério Público segue averiguando o milionário contrato entre o governo de Lajeado e a empresa Arki, responsável pela terceirização de parte da mão de obra da prefeitura municipal e secretarias. Em suma, a promotoria verifica se a empresa é utilizada como uma extensão aos Cargos Comissionados. Ou seja, agentes públicos estariam indicando contratações. Nas últimas semanas, dois vereadores foram intimados: Mariela Portz (PSDB) e Ernani Teixeira (PP).

Ambos falaram, em reunião plenária realizada no início do ano, sobre eventuais indicações. A tucana defendeu a terceirização de servidores em detrimento ao concurso público. Mas não confirmou qualquer indicação. Já o seu colega de Legislativo admitiu publicamente a indicação de um jardineiro. No dia 22 de setembro, Mariela respondeu ao MP. E reforçou a tese Liberal. “Sempre defendi, desde o início do meu mandato, a terceirização dos serviços públicos”, afirma. Mas reforçou. “Desconheço qualquer indicação ou algo similar na Arki”.

Ernani Teixeira encaminhou resposta uma semana antes da tucana. Sobre sua fala em plenário, o progressista afirmou que “foi apenas uma manifestação de enfrentamento em momento de discursos acalorados proferidos de diversos vereadores oposicionistas, mas que de fato não fez nenhuma indicação de funcionário algum”. Ele também afirma que “não conhece e nunca tratou sob qualquer assunto com os proprietários da referida empresa ou algum representante desta”.


Fé e Surf

A praia é o ponto dos surfistas. Mas em Xangri-Lá, uma das principais cidades do litoral gaúcho, a fé anda junto com as ondas. Por lá, a Câmara de Vereadores promulgou lei que torna obrigatória a leitura bíblica nas escolas públicas municipais. De acordo com o texto, a intenção é “tornar o ambiente escolar mais saudável e altruísta”. Um despautério!