Fotógrafo recria imagens do passado

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Fotógrafo recria imagens do passado

Projeto “Lajeado Antes e Agora” evidencia transformação do cenário urbano da cidade no decorrer das décadas

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Fotógrafo recria imagens do passado
Caco Marin divulga, a partir de hoje, imagens recriadas em suas redes sociais. Foto: Fábio Kuhn
Lajeado
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Preservar a história de Lajeado é o objetivo do mais novo projeto do fotógrafo Caco Marin. Intitulado “Lajeado Antes e Agora”, o trabalho é realizado com auxílio do Pró Cultura RS, por meio do FAC (Fundo de Apoio à Cultura) Digital RS.

Em meio à pandemia, Caco iniciou a pesquisa por fotos antigas da cidade em arquivos históricos de órgãos públicos. Também fez um pedido por imagens das décadas passadas em publicação do Facebook, recebendo cerca de duas mil fotografias.

A segunda etapa do projeto consistia em identificar os pontos onde a antiga fotografia foi feita e recriá-la do mesmo ponto de vista. “Temos assim uma conexão com o presente e o passado”, ressaltou em entrevista ao programa Frente e Verso na manhã de ontem.

Além do trabalho fotográfico, Caco analisa o conceito cultural e econômico da época em que a imagem foi eternizada por uma câmera fotográfica. Entender quais eram as técnicas usadas e equipamentos da época são dúvidas do profissional lajeadense.

“Será que a gente tinha dinheiro no passado para bancar um fotógrafo aqui com equipamentos em uma época que a fotografia era muito mais cara?”, questiona ao exemplificar uma das perguntas que tenta responder com o projeto.

Entre as fotografias recuperadas por Marin, está uma que pode datar do final do século XIX. Trata-se de uma possível fotografia de uma pintura da antiga Igreja Matriz Santo Inácio, que incendiou em 1953.

A imagem mais curiosa, para Marin, é uma que mostra a destruição em Lajeado após uma enchente (provavelmente a de 1941). A fotografia foi tirada da Casa da Cultura em direção ao Rio Taquari. Conforme Marin, chama atenção o fato de não haver nenhum prédio em um dos pontos mais centrais de Lajeado, diferente do que ocorre hoje.

Preservar mais

Marin destacou dificuldades no processo de pesquisa, como conseguir identificar a autoria das imagens e a data que foram feitas. Outra questão abordada pelo fotógrafo foi a qualidade das imagens.

“A maioria das fotos eram digitais, poucas em papel e negativo nenhuma. As fotos em papel ainda eram reimpressões ou as digitais haviam passado por tantos programas que mudam algorítimos. Isso não condiz com a importância histórica desses registros”, aponta.

Ele elogia o arquivo existente na Biblioteca de Lajeado, mas percebe haver espaço para avançar nessa área. “Essa oportunidade existe justamente pelo fato de sempre haver como preservar mais”, acredita.

A partir de hoje, 25, as imagens refeitas por Caco serão divulgadas nas próprias redes sociais (Caco Marin Fotografia no Facebook e @cacomarin no Instagram). No projeto do FAC Digital RS, estavam previstas 15 fotografias, mas Caco deverá divulgar cerca de 50 imagens.