opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Camelódromo em Lajeado

Por

Lajeado

O debate sobre a criação de um espaço público para os vendedores ambu­lantes esquenta em Lajeado. E é um assunto antigo. Nesta mesma gestão, comandada pelo prefeito Marcelo Caumo, o mesmo tema foi debatido pela primeira vez em 21 de março de 2017, durante uma reunião na prefeitura. Há três anos e meio, a criação do camelódromo foi abordada. Mas foi apontada por lojistas como uma “oficialização da venda irregular” e o assunto não evoluiu.

Camelódromo II

Naquele mesmo encontro, em março de 2017, o presidente do Sindicomerciários Marco Daniel Rockenbach afirmara. “Pre­firo vê-los trabalhando do que praticando crimes. Então acho que precisamos achar uma forma de reinseri-los de modo legal, a fim de não criar outro problema, ainda pior. Não podemos tirá-los daqui sem criar uma alternativa. Se demonstraram excelentes vendedores. Acredito que possa ser viável trazê-los ao comércio.”

Camelódromo III

Três anos e meio depois daquela reu­nião, Rockenbach voltou a ser questio­nado acerca do tema, em nova repor­tagem publicada pelo Grupo A Hora. “Qualquer ação para regulamentar será conivente, porque a maioria dos produtos é de procedência duvidosa”, afirmou. E o sindicalista também refor­çou a opinião anterior. “Não adianta só tirar as pessoas das ruas, temos que dar alguma oportunidade”. Repetitivo ou não, ele traz duas verdades.

Camelódromo IV

Neste intervalo de tempo, e mais pre­cisamente em setembro de 2018, outra reunião entre poder público e repre­sentantes do Sindilojas e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) tratou sobre o comércio ambulante. Novamente, o camelódromo foi ventilado. Naquele momento, o prefeito Marcelo Caumo foi taxativo ao afirmar, em entrevistas, que não seria criado um espaço para os came­lôs na cidade. Dois anos depois, o mesmo assunto volta à tona.

Camelódromo V

O vai e vem desse debate é curioso. Isso nos demonstra, no mínimo, falta de convicção por parte dos representantes do governo municipal. O que de certa forma é algo natural. Afinal, o tema carece de um consenso mundo afora. Não é uma exclusividade dos lajeadenses. E o tema é muito complexo. Há diversos prós e contra a se­rem analisados. E muito em função disso, não podemos “criminalizar” ou “cancelar” quem se posiciona contra o camelódromo.

Camelódromo VI

Nesta semana, o empresário Nilton Colombo se posicionou em nome do Fórum das Entidades. Entre suas colo­cações, afirmou que camelódromo não faz parte da cultura, ou do costume de Lajeado. Não está incorreto. De fato, não temos a cultura do camelô tão espraiada como em outras cidades. Colombo não falou qualquer inverdade, e tampouco ofendeu os vendedores ambulantes. Mes­mo assim, não escapou do julgamento virtual dos “justiceiros de plantão”.

Camelódromo VII

Mas há um “porém” nesta conclu­são. Cultura ou costumes podem ser criados. Eles não nascem e morrem pré-definidos com as cidades. E são muitos os bons exemplos de camelódro­mos instalados em cidades – litorâneas, principalmente. Logo, a criação de um espaço para esse nicho de mercado não é uma ideia absurda. Pelo contrá­rio, pode ser uma forma de justificar a tolerância zero nas ruas centrais. Desde que haja fiscalização, claro.

Camelódromo VIII

O tema “fiscalização” talvez seja a grande pedra no sapato do poder público – não creio em preconceito ou algo do gênero por parte do ente pú­blico. O mercado dos ambulantes não envolve só o Código de Posturas e o uso adequado das calçadas. Mas, sim, uma fiscalização muito mais rígida e que ultrapassa os limites do prefeito. Principalmente em relação à origem dos produtos. E isso, definitivamen­te, é um problema que não pode ser deixado de lado.


Pesquisas eleitorais

O Grupo A Hora publica hoje a primeira de uma série de 11 pesquisas eleitorais. E o assunto atiça os bastidores políticos no Vale do Taquari. Entre alguns candidatos, ressurge a tese de que as pesquisas de opinião ou intenção de votos podem induzir eleitores. Para muitos, o eleitor tende a votar em quem está à frente na corrida pelas prefeituras. Ontem, durante o programa Frente e Verso, questionei o Diretor do Instituto Methodus sobre esse tema.

E José Sauer não titubeou. Em determinado momento, afirmou que a tese se trata de uma “bobagem” por parte de alguns políticos, espe­cialmente entre os derrotados. Certo ou errado, Sauer vai além. “Isso é uma utopia. A pesquisa não muda resultado, apenas revela se a disputa está acirrada ou se algum candidato apresenta boa vantagem”, defende. Influenciando ou não, as pesquisas possuem critérios sérios e o histórico de acertos comprova a credibilidade.