Relíquia Austríaca

Gerações se unem para restaurar motocicleta rara

Filho, pai e avô participaram de projeto para recuperar veículo da década de 50. Modelo pode ser o único existente no Brasil

Por

Gerações se unem para restaurar motocicleta rara
Lajeado

A Moto Puch 125TT chama a atenção de quem passa pela avenida Amazonas, em Lajeado. Exposto na loja da família Tietze, o modelo austríaco de 1952 foi restaurado em um trabalho conjunto de avô, pai e filho.

Tudo começou em 2017 quando José Ehrenbrink viu o chassi jogado em um celeiro no interior de Teutônia. Colecionador, ele se interessou ao saber que a motocicleta havia sido importada da Alemanha.

O antigo proprietário a usou por anos até registrar problemas no motor. Sem conseguir conserto, vendeu algumas partes e abandonou a carcaça no celeiro por cerca de três décadas. Por R$ 100, José comprou o chassi e presentou o neto Lucas Tietze, 17. Antes, fez ele prometer que nunca iria dá-la para ninguém.

Projeto em família

Com a experiência de já ter recuperado uma CB400, o pai de Lucas, Carlos Eduardo Tietze, 44, resolveu participar do projeto. Por cerca de dois meses, os dois usaram as poucas informações que tinham para descobrir qual o modelo do chassi. A confirmação chegou ao observarem antigas fotografias da Puch 125TT.

Pai e filho conseguiram contato com o curador do museu da Puch, na Áustria. Dele ouviram que o modelo 125TT é raríssimo na Europa. “Ele se surpreendeu por ter uma moto dessas no Brasil”, comenta Carlos ao destacar a motocicleta da família pode ser a única deste estilo no Brasil.

A montagem da motocicleta foi realizada no fim de 2017 e começo de 2018 pelo mecânico Edson Bitdinger. Todas as quintas-feiras, eles se reuniam após o expediente para consertar a moto e confraternizar com um churrasco. “Fomos fazendo assim, trabalhando cerca de uma a duas horas por quinta-feira”, comenta Carlos.

Um dos trabalhos mais complexos, conforme Lucas, foi recuperar um furo do tamanho de uma mão no tanque. Foram necessárias mais de 12 horas de funilaria, trabalho do restaurador Wanderlei Pallaoro.

Sem conseguir peças antigas, as rodas e motor da motocicleta foram adaptadas com equipamentos parecidos com os originais. Todos os custos da restauração foram custeados com as economias de Lucas: cerca de R$ 6 mil.

Laço de família

A união de gerações em uma paixão é enaltecida por Carlos. “Construímos algo que poderá ficar por anos entre nós”, comenta. O filho Lucas reforça esses momentos especiais ao lado do pai. “Foi uma experiência que guardarei pro resto da vida”, afirma Lucas.

A motocicleta foi finalizada em 14 de março de 2018. Saiu direto da oficina para a primeira exposição no Parque do Imigrante: era a terceira edição do Moto Rock Lajeado. Até hoje, o modelo é um dos xodós do evento lajeadense.

Atualmente, a motocicleta não tem documentação e é usada apenas nas exposições. Mas Lucas não descarta a possibilidade de regularizá-la e levar a antiga moto para as ruas.