Abre aspas

“É possível gravar um som de qualidade profissional dentro de casa”

Foi durante a quarentena que o engenheiro civil Willian Poleto Zanon, 23, decidiu tirar do papel um projeto de música eletrônica e autoral com que sonhava faz muito tempo. Foi assim que surgiu o ‘Atlantic Cities’. Com toda a produção feita em casa, ele já lançou duas músicas. O próximo lançamento ocorre no dia 9 de outubro

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“É possível gravar um som de qualidade profissional dentro de casa”
Vale do Taquari

• Como surgiu o Atlantic Cities?

Foi um projeto que surgiu durante a quarentena. O nome é baseado principalmente na sonoridade que eu quis trazer. Busco uma sonoridade bem verão, músicas para viajar. Como aqui no Rio Grande do Sul veraneamos sempre em Capão da Canoa, Atlântida, cidades banhadas pelo Oceano Atlântico, surgiu o nome Atlantic Cities.

• Qual o teu processo criativo?

Eu produzo tudo em casa. Com os avanços da tecnologia, é possível gravar um som de qualidade profissional dentro de casa. Essa foi uma das maiores facilidades que a música desenvolveu nos últimos anos. As únicas coisas que gravo de forma orgânica são os vocais, violões e guitarras. O resto é tudo feito através de softwares e plugins que simulam os instrumentos. As ideias surgem em momentos aleatórios. Tenho cerca de 600 áudios no celular só com ideias. A maioria eu descarto, mas sempre tem algo que dá para aproveitar. Foi assim que surgiram as minhas músicas.

• Qual a sensação em lançar as suas primeiras músicas?

Eu diria que é surreal. Primeiro porque eu não sabia que era tão fácil lançar as músicas em uma plataforma de streaming. Quando eu tinha por volta dos 15 anos eu sonhava com isso. Agora estou realizando. Tenho áudios de 2014, 2015, quando tentava fazer alguma coisa e não tinha coragem para gravar. Criei essa coragem, dei a cara a bater, e fiquei muito feliz. Tenho recebido feedbacks positivos. Ouvintes perguntam quando vai sair música nova. Essas mensagens me deixam muito feliz. É acima de tudo um reconhecimento pelo meu esforço e dedicação.

• Qual a tua relação com a música?

Eu acredito que a música é um pedaço muito importante da minha personalidade. É algo que eu tenho orgulho de mostrar. Comecei tocando violão aos 12 anos de idade. Com o passar do tempo despertei o interesse em aprender coisas novas. Aprendi a tocar guitarra, teclado, piano e contrabaixo. Ainda tenho noção em outros instrumentos, como a bateria. Essa vontade de aprender novos instrumentos que me deu toda a base para começar a produzir.

• Como é o mercado para a música eletrônica no Brasil?

A música eletrônica cresceu muitos nos últimos anos. É difícil saber até onde vai. Hoje em dia o mercado está bem saturado em relação aos djs. Até por isso acho que a música eletrônica precisa se reinventar. Os artistas precisam procurar novas alternativas. A música precisa estar em constante renovação. E assim terá um futuro promissor. O Brasil está muito bem servido. Tem artistas reconhecidos mundialmente. Aqui no Vale também temos muita gente boa. Uma das iniciativas que tento trazer é procurar pessoas para cantar as músicas que escrevo. Tenho engatilhado quatro artistas, e um já gravado. A próxima música sai no dia 9 de outubro. Acredito que se os músicos da região se unirem, o Vale pode se tornar um dos principais polos culturais do Rio Grande do Sul.