opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Coligações

Por

Vale do Taquari

O prazo para as convenções partidárias se encerra amanhã. E ainda restam indefinições. Em Estrela, resta saber quem será o pré-candidato a vice-prefeito na chapa do ex-secretário de Saúde Elmar Schneider (PTB). A decisão sai amanhã. E são três nomes do PSD: Mariza Brönstrup, Márcio Lehmen e João Schaffer. Ainda em Estrela, tudo leva a crer que teremos sete chapas. Além de “Schneidinha”, são pré-candidatos Valmor Griebeler (PL), César (MDB), Diego de Castro (DEM), Denise Goulart (PT), Paulo Argeu (PDT) e Eduardo Wagner (PSL).


Coligações II

O “bicho pegou” em Encantado. Entre a noite de sexta-feira e a manhã de domingo, poucos correligionários dormiram na região alta do Vale do Taquari. Ao fim de tudo, muitas surpresas. E a principal é a histórica união entre PP e MDB no município. Inimigos desde os tempos do Regime Militar (Arena x MDB), os partidos se uniram aos 45 minutos do segundo tempo para tentar vencer o atual prefeito Adroaldo Conzatti (PSDB). Para compor a chapa do tucano, a disputa ficou entre Jonas Calvi (PTB) e Luciano Moresco (PT). O primeiro venceu.


Coligações III

A negociata que culminou com a saída do MDB da coligação com o PSDB ainda será assunto para muitos debates acalorados nas esquinas democráticas de Encantado. Já nas redes sociais, Adroaldo Conzatti (PSDB) escreveu sobre o tema. Segundo ele, o PSDB insistiu para que o MDB ficasse no chamado G-5. “Qualquer manifestação de que nós não aceitamos o MDB não é verdadeira. Para nós, as coligações servem para somar e não dividir”, afirma. Por fim, ele deixa uma indireta. “O que nós não aceitamos é lotear os cargos na prefeitura.”


Coligações IV

Em Lajeado, o fim de semana não apresentou grandes surpresas. PP, MDB e PSB confirmaram chapas puras. Marcelo Caumo e Gláucia Schumacher, Márcia Scherer e Paulo Tóri, e Daniel Fontana e Felipe Klaus, respectivamente. Resta saber, agora, quem serão os partidos coligados com essas chapas. Com o PP, já estão confirmados o PSDB, o PDT e o PL. O PSB vai contar com o apoio do PODEMOS. A dúvida paira mesmo sobre os parceiros do MDB. E a pergunta que não quer calar é: o Partido dos Trabalhadores e o DEM estarão juntos nesta empreitada?


Coligações V

Sobre o DEM e o PT em Lajeado, o Coordenador Regional dos DEM, Felipe Diehl, agitou os bastidores. Segundo ele, o diretório municipal deveria ter candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores. Ele critica o presidente municipal Michael D´Oliveira. “Chegou às convenções sem nenhum candidato, com uma secretaria negociada com o MDB, e coligação com o PT. No sábado à noite, pediu se poderia coligar com o PT. Eu disse que havia uma resolução que vetaria. Ele disse que, caso não pudesse fazer a coligação com o PT, renunciaria.”


Coligações VI

A renúncia, de fato, ocorreu. Oliveira, porém, rechaça as colocações de Felipe Diehl. “Não existe nenhuma ligação nossa com o PT. Nunca houve. E não tinha nada acertado sobre secretaria. Havia interesse nosso em ajudar nos projetos.” Ele também fala sobre sua saída da presidência. “Eu não via mais possibilidade de estar à frente do partido. Se não fosse nesse ano, seria ano que vem. As pessoas próximas já sabiam que eu queria passar a presidência”. O DEM lajeadense cogitava a pré-candidatura de Gilberto Schmidt. Mas não “rolou”.


Coligações VII

De acordo com Felipe Diehl, a comissão do DEM em Lajeado era provisória e, com a renúncia do presidente, a coordenação regional resolveu “baixar toda a comissão executiva provisória”. As (in) decisões do DEM na cidade provocam, também, uma troca de farpas entre dois grupos autointitulados de Direita: o pioneiro “Movimento Direita dos Vales (MDV)”, e o Movimento União das Direitas (MUD), formado por dissidentes do MDV. A briga sempre foi para demonstrar quem é mais ligado à ideologia do presidente Jair Bolsonaro.


Coligações VIII

Voltando ao MDB de Lajeado, o partido segue sem parceiros coligados. A direção emedebista rechaça a informação do Coordenador Regional do DEM sobre negociação prévia de secretarias. O MDB também não confirma a coligação com o PT. Nos bastidores, os líderes emedebistas trabalham com a possibilidade de contar com o apoio do Partido dos Trabalhadores, mas sem uma “coligação oficial”. Ou seja, os petistas apoiariam, mas sem a estrela dourada e a bandeira vermelha estampadas nas artes gráficas da campanha.


Coligações IX

O Partido dos Trabalhadores é a sigla mais carcomida nesta estranha eleição. A sigla que governou o país entre 2003 e 2015 desistiu de lutar pela majoritária em Lajeado. E seus líderes estariam cogitando uma velada posição de coadjuvante na chapa pura do MDB. Entre as demais “grandes” cidades do Vale do Taquari, só em Estrela há candidata a prefeita. Em Arroio do Meio, Teutônia, Encantado e Taquari o partido se contentará com a posição de vice ou com secretarias. É pouco para quem estava acostumado ao protagonismo. É quase nada!


Um final de gestão “de dois gumes”

As eleições serão absurdamente impactadas pela pandemia do novo coronavírus. Em todos os sentidos. A logística no dia do pleito, as campanhas virtuais e as mudanças no calendário são as alterações mais visíveis. Mas as mudanças vão muito além. Por parte dos opositores, a reclamação é de que a pandemia “blindou” os atuais prefeitos – e as sessões virtuais nos legislativos reforçam essa transformação. Já por parte dos situacionistas, ou de boa parte deles, o último ano de mandato estava reservado para obras e inaugurações. E não foi.