opinião

Amanda Cantú

Amanda Cantú

Jornalista

Colunista do caderno Você

Você não está sozinho

Por

Atualizado segunda-feira,
14 de Setembro de 2020 às 09:13

Sempre acreditei na força dos relatos pessoais. Compartilhar vivências aproxima e torna a troca mais humana, sensível e acolhedora. Por isso, enquanto pensava na edição desta semana do caderno Você, logo decidi contar aqui um pouco do meu processo de aceitar e buscar por ajuda psicológica.

O Setembro Amarelo existe para falar sobre a prevenção ao suicídio, e apesar de a campanha existir no Brasil desde 2015, ainda há quem não conheça seu propósito. Por isso, nas páginas 6 e 7 do caderno e na aba “Você” aqui do site, há uma matéria escrita com muito carinho. Falar sobre suicídio é difícil, mas extremamente necessário e urgente.

O suicídio continuará existindo enquanto não aprendermos a falar sobre ele sem medo, enquanto não pararmos de estigmatizar os transtornos mentais e enquanto não entendermos que o sofrimento psicológico é tão doloroso quanto qualquer dor física. Precisamos aceitar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

Por coincidência, neste Setembro Amarelo completo um ano de terapia. Já havia cogitado buscar esta ajuda antes, mas, apesar de nunca ter sido a pessoa que pensa que “psicólogo é para louco”, sempre encontrei uma desculpa para fazer de conta que conseguia me virar sozinha. Até que não deu mais.

Quando tudo começou a ficar difícil e confuso, quando nada mais fazia sentido, finalmente aceitei que está tudo bem não conseguir lidar com tudo sozinha. Não precisamos lidar com tudo sozinhos. Tudo bem não estar bem. Tudo bem pedir ajuda.

Durante 25 anos repeti comportamentos que nem eu mesma percebia como autodestrutivos. Por estes 25 anos carreguei comigo coisas que me machucavam e prejudicava minha rotina, meu crescimento e minha felicidade. Com a ajuda psicológica, aprendi a me conhecer, a olhar e tentar compreender a origem dos problemas e encontrar um caminho para resolvê-los. O processo é longo e, de fato, não é fácil. Mas o primeiro e mais difícil passo foi dado: buscar ajuda.

Decidi compartilhar esta experiência porque, ao olhar para trás, posso perceber a diferença que o suporte psicológico faz na minha vida. Poder contar com um profissional que me ouve sem julgamentos e me ajuda a encontrar os melhores caminhos torna o viver mais leve, feliz e, em hipótese alguma, me torna frágil, louca ou doente.

Espero, do fundo do meu coração, que esse relato, assim como a nossa matéria sobre o Setembro Amarelo, te incentive a olhar para si mesmo e para o próximo com mais carinho e menos julgamento. Terapia é autocuidado fundamental, ainda mais em tempos tão difíceis.

Lembre-se que pedir ajuda não é vergonhoso.

Você é importante e não está sozinho.