opinião

Jonas Ruckert

Jonas Ruckert

Diretor do Colégio Teutônia

Assuntos e temas do cotidiano

O desafio da mudança está em agir, apesar do medo

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Atualizado sábado,
12 de Setembro de 2020 às 10:33

Teutônia

“Não há ser humano que domine o futuro! ” A frase do professor e palestrante Leandro Karnal faz referência a estes tempos em que se manifestam necessárias e como diferencial as competências profissionais, emocionais e, neste momento, com primordialidade, as competências tecnológicas. Em relação a esta última, nossa procrastinação em relação ao aperfeiçoamento digital confirma a afirmativa. Soubéssemos ou prevíssemos essa condição, possivelmente nosso posicionamento tivesse sido outro. Daí a afirmativa: não dominamos o futuro!

Diante da crise que não se instalou apenas na saúde, mas escancarou a fragilidade política e econômica de nossas instituições, muitas delas públicas, convivemos ainda com o negacionismo daqueles que ignoram o que aí está como se nada estivesse acontecendo. Também temos o grupo dos histéricos que alarma e anuncia aos gritos e desespero o atual momento, com chavões que colam no ouvido como se verdade fossem, mas que não resolvem nem propõem nada. Há um terceiro grupo dos saudosistas, afirmando que no seu tempo não havia nada disto. Esquecem que o seu tempo também é o presente.

Diante disso o professor Karnal, de quem trouxe a afirmativa que abre a coluna, nos desafia com uma pergunta: o que muda uma realidade?

A crise é a necessidade de introduzir uma variável nova, quase sempre negativa, uma vez que desinstala e desacomoda. É um convite a dar uma resposta diferente. O que muda a realidade é a ação. No entanto, temos medo do que não conhecemos e de tudo que está posto. O filósofo Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) trata do medo como algo efetivo para prudência, ao tempo em que pontua que não agir em função do medo é covardia!

O desafio da mudança está em agir, apesar do medo. Agir levando o medo junto. Não como Mulher Maravilha, Super Homem, Batman ou Robin. Medo é uma resposta ao natural e, por ser um instinto primitivo, torna-se absolutamente necessário para a sobrevivência.

Ações de responsabilidade, de corresponsabilidade, estamos visualizando e vivenciando em vários setores do nosso Vale, iniciando pelos profissionais e casas de saúde aos quais referencio. Tudo parece andar em bom tom e com boa razoabilidade diante do contexto da pandemia. Parece! Já a informalidade vai bem diante dos “novos serviços” que surgem em detrimento aos regulamentados que devem aguardar cronogramas de retorno e cumprir os decretos deixando um vácuo, de ordem social também, muito grande. Sigo reticente, com evidências sustentáveis, para uma tomada de ação. Para finalizar, apenas uma frase para que a temática não passe apenas pelas entrelinhas: “os prejuízos causados nas crianças pelo longo tempo longe da escola podem ser irreparáveis. ” (Bruno Eizerik – Presidente do SINEPE/RS).
Vamos agir?