opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Volta às aulas

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Atualizado quarta-feira,
09 de Setembro de 2020 às 14:19

Vale do Taquari

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentou um relatório de 476 páginas sobre educação – e os efeitos da pandemia na educação. A respeito do fechamento das escolas, por exemplo, a entidade conclui que, até junho, o Brasil havia passado 16 semanas com escolas fechadas, enquanto a média dos países da OCDE e parceiros era de 14 semanas. Não é uma diferença tão absurda. Mas é uma diferença.

Volta às aulas II

Outra conclusão é que o nosso país tem em média 24 alunos por sala nos primeiros anos de ensino na rede pública, e os demais países da OCDE possuem 21. E isso preocupa para um eventual retorno. Sobre os professores, os dados indicam que grande parte dos profissionais do Brasil não está entre os “jovens”, o público menos suscetível ao novo coronavírus. No país, apenas 11% dos professores do ensino fundamental têm menos de 30 anos.

Volta às aulas III

Por fim, o estudo compara salários e investimentos. E os dados são instigantes. Os docentes brasileiros recebem menos que a média dos demais países da OCDE em todos os níveis de ensino. Na educação infantil, o valor médio anual é de US$ 24,7 mil no Brasil, contra US$ 38,6 mil. No Fundamental, é US$ 25 mil contra US$ 43,9 mil, e no ensino médio é US$ 25,2 mil e US$ 46,2 mil. Por outro lado, o Brasil investe 1 ponto percentual a mais do PIB em Educação.

Volta às aulas IV

Nos últimos dias, ecoou Brasil afora as palavras de Priscila Cruz, presidente-executiva da ONG Todos Pela Educação. Ela avalia o reflexo em um país há quase seis meses com escolas fechadas e com imprevisão de abertura. “O Brasil vai pagar um preço muito alto por escolher abrir bar antes de escola”, diz. “A desigualdade e a evasão vão aumentar, a aprendizagem vai cair. E a consequência no médio e longo prazo para o País é brutal”, completa.

Volta às aulas V

Priscila é polêmica. “A decisão de deixar a abertura para o ano que vem é a pior que pode existir.” E vai adiante. “Há pais que estão na praça, mas não querem volta às aulas”. Por fim, provoca. “A população brasileira valoriza a educação da boca para fora. Quando uma população pressiona para abertura de bares e shopping, aí a verdadeira prioridade é revelada”, diz. “O Brasil vai pagar um preço muito alto por escolher abrir bar antes de escola”.


O eleitor e a lisura

A lisura de um processo eleitoral depende de uma série de fatores. A honestidade do candidato é a mais latente. Mas existem outras várias maneiras de verificar a lisura de um processo eleitoral. O eleitor precisa estar atento aos bastidores das campanhas. Quem financia? Quem organiza? Quem se beneficia? Quem assessora? O eleitor precisa cobrar do seu candidato a mais completa lisura durante todo o processo eleitoral. E a lisura, reforço, também precisa ser cobrada nos bastidores.
É preciso observar para algumas práticas corriqueiras em períodos eleitorais. Entre essas, o uso e abuso de servidores públicos – cargos comissionados (CCs), essencialmente – nas campanhas. O eleitor precisa ser o fiscal. O eleitor precisa denunciar todo e qualquer uso da máquina pública em benefício deste ou daquele candidato. O eleitor não pode mais aceitar o mau uso da máquina pública. O eleitor precisa ser o grande protagonista deste complexo processo eleitoral. O eleitor não pode ser passado para trás.
O eleitor deve fiscalizar o uso dos CCs para cunho eleitoral neste período. Não é tolerável que os mais diversos assessores atuem integralmente nas campanhas. Durante o horario “comercial”, todos os CCs, do ambito federal, estadual ou municipal, precisam desempenhar suas respectivas funções públicas, pelas quais são muito bem pagos pelo ente público. Fora do horario de serviço, sim, é cada um por si. Afora isso, é abuso de poder político.
A eleição é do eleitor. E o eleitor tem a responsabilidade de cobrar o seu candidato. O eleitor precisa cobrar lisura por parte do seu candidato. E todo e qualquer candidato que faz mau uso dos CCs em período de campanha não merece a confiança do eleitor. Todo e qualquer candidato que faz vista grossa para o que ocorre na campanha não merece a confiança do eleitor. Afinal, a lisura não vale só a partir de 1º de janeiro de 2021. A lisura, caro leitor, precisa acompanhar o seu candidato no dia a dia. E você precisa cobrar!


Plano de saneamento

O governo de Lajeado designou quatro servidores para a revisão do Plano Municipal de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PMGIRS). O Executivo também suspendeu o edital de licitação para conceder a gestão do aterro sanitário. As mudanças estariam ligadas ao novo marco legal do saneamento básico, sancionado por Jair Bolsonaro em julho.


Audiências públicas

A Câmara de Estrela realiza duas audiências públicas sem público nesta quinta-feira. Às 14h, inicia o encontro para a avaliação e verificação do cumprimento das Metas Fiscais do município, referente ao 2º quadrimestre de 2020. Às 14h30min, ocorre a apresentação da LDO e LOA do governo de Estrela para o exercício de 2021.