opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

Hipocrisia e romantismo não põem comida na mesa de ninguém

Por

Lajeado

Na semana passada escrevi neste espaço que tudo precisa voltar. Ouvindo ontem, o relato do empresário Marcelo Sommer, sobre o drama que vivem os profissionais – e informais – ligados ao setor de eventos, reitero o posicionamento. Já são quase seis meses. Já estamos cientes de que podemos voltar as atividades dentro de formatos seguros e viáveis. Insistir no #fiqueemcasa só é possível para quem tem o salário pingado na conta todo mês, sem a necessidade de bater metas ou sem depender do suor diário para ter salário. O resto é hipocrisia e romantismo.

“E se a receita da sua empresa caísse para 0 a 5% durante seis meses, o que seria dela?”, questionou ontem o empresário Sommer. A resposta é simples: sucumbe. Ele foi além: “um casamento ou evento de 100 ou 150 pessoas não pode acontecer, mas restaurantes e estabelecimentos comerciais receberem centenas de pessoas ao mesmo tempo pode. Por quê?”. Pois é.

Não podemos ser hipócritas. A realidade está nos mostrando, a cada dia, que é imperioso voltar. Não à revelia, mas dentro de limites e condições adequadas. Com a volta das aulas presenciais não é muito diferente. É inexplicável a dimensão e o rumo do debate sobre o tema. Já está dito: volta quem quer; professores em risco serão – e precisam ser – preservados; os protocolos das escolas serão exigentes; e por aí vai. Daí pergunto: por que mesmo estamos polemizando tanto a volta às aulas?

Infelizmente, a pandemia também aflora o nosso lado hipócrita, junto com um romantismo que não põe comida na mesa de ninguém.


A proliferação de ratos nas lixeiras de bairros lajeadenses precisa ter uma solução contumaz. É uma questão de saúde pública, sem falar no mal-estar que a situação provoca para quem mora nas proximidades. A situação parece clara: ou têm problemas com o descarte do lixo por parte dos moradores, ou então, no recolhimento. Mas é preciso resolver. Proliferação de ratos em espaços públicos e de uso comum é dureza.


Precisamos falar sobre o futuro das nossas cidades agora

O Grupo A Hora se propôs, há cerca de quatro meses, a iniciar uma série de debates sobre temas que dizem respeito ao desenvolvimento e evolução das nossas cidades, cujos temas não podem – ao menos não deveriam – estar ausentes do debate eleitoral que se avizinha. Na semana passada, o assunto foi o Porto de Estrela, agora municipalizado. Afinal, o que o próximo prefeito fará com o Porto? Tudo deve começar com um bom projeto regional, como sugeriram especialistas.
Já falamos da mulher na política, das enchentes, do impacto das redes sócias na campanha, das leis, entre outros.

Hoje de tarde, o tema é mobilidade urbana. Não menos relevante e impactante. Não é de hoje que nossas cidades carecem de planejamentos mais qualificados e duradouros sobre a mobilidade, especialmente para atender às novas formas de convívio, de locomoção e de cidades inteligentes.

Podemos contar nos dedos os quilômetros de ciclovia no Vale do Taquari. O transporte público está longe de ser o que precisa. Continuamos com altíssimos índices de carro por habitante. Nossas cidades preterem as pessoas aos veículos. Enfim, um tema que diz respeito à vida de todos nós. Acompanhe na radio A Hora 102.9 hoje de tarde, às 15h, e nas páginas do jornal de amanhã. Precisamos falar sobre o futuro das nossas cidades. E não pode haver melhor momento do que este. Até porque, se não falarmos e nos engajarmos agora, não adianta reclamar depois.


“Acordão” esfacelado e salve-se quem puder

Rafael Mallmann, atual prefeito de Estrela, se elegeu por meio de um grande “acordão”, reunindo quase dez partidos. Passados oito anos, eis que aparecem sete prováveis candidatos a prefeito para suceder Mallmann, muitos ex-integrantes do projeto vitorioso que elegeu Mallmann duas vezes. Que o “acordão” romperia cedo ou tarde todos sabiam, mas que fosse se esfacelar em tantas partes, ninguém imaginava. Nunca ficou tão difícil saber quem é situação ou oposição em Estrela. Ou alguém já sabe?