Esperança na ciência

Parceria coloca o Brasil na rota da vacina

Acordo para produção em massa de composto em testes estipula que o país terá 100 milhões de doses caso seja comprovada eficácia. Pesquisa é considerada a mais avançada em busca da imunização contra a covid-19

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Parceria coloca o Brasil na rota da vacina
Teste da vacina contra a doença de coronavírus (COVID-19) na Tailândia
Brasil

Os mais de dois mil testes aplicados em profissionais de saúde do Rio de Janeiro e de São Paulo foi o passo inicial para garantir a parceria anunciada no sábado entre o Brasil e as responsáveis pela pesquisa.
A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório AstraZeneca é considerada uma das mais promissoras no mundo. No Brasil, a tecnologia será desenvolvida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), fundação do Ministério da Saúde.

O infectologista e professor da Univates, Guilherme de Campos Domingues, realça que apesar de ainda estar em testes, não depender de uma empresa estrangeira para fabricar a vacina é positivo para o país. “Estar dentro do projeto, com garantia de transferência de tecnologia representa um ganho. Agora, se essa vacina terá condições de terminar com a pandemia, só vamos saber quando acabarem os testes.”


O acordo tem duas etapas. Começa com uma encomenda em que o Brasil assume também os riscos da pesquisa. Ou seja, pagará pela tecnologia mesmo não tendo os resultados dos ensaios clínicos. Em uma segunda fase, caso a vacina se mostre eficaz e segura, será ampliada a compra.

Cada dose custa 2,30 dólares

Na inicial, de risco assumido, serão 30,4 milhões de doses da vacina, no valor total de U$ 127 milhões, incluídos os custos de transferência da tecnologia e do processo produtivo da Fiocruz, estimados em U$ 30 milhões. Os dois lotes a serem disponibilizados à fundação, de 15,2 milhões de doses cada, deverão ser entregues em dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

Se a vacina for segura e eficaz e houver o registro no Brasil, além das 30 milhões de doses iniciais, serão produzidas mais 70 milhões de doses, no valor estimado em US$ 2,30 por dose, totalizando 100 milhões de vacinas. Em termos de comparação, a vacina contra a gripe sazonal e da H1N1 custa US$ 10 por dose.

O governo federal considera que o risco de pesquisa e produção é necessário devido à urgência pela busca de uma solução efetiva para manutenção da saúde pública e segurança para a retomada do crescimento brasileiro.

A vacina de Oxford é a que está em estágio mais avançado no mundo e tem apresentado uma resposta imunológica bastante significativa, mas, se nos testes finais a vacina não se mostrar segura, o governo não irá usá-la.

O plano do governo federal é garantir a imunização primeiro de grupos prioritários, como idosos, doentes crônicos e profissionais da saúde.

Último estágio

A vacina em questão está na terceira fase, nos testes clínicos. Antes, já foi testada em animais e em pequenos grupos de humanos. Até agora, nove mil pessoas já receberam a dose e a pesquisa indica que ela é segura.
O composto é feito por um fragmento de proteína do novo coronavírus, junto com um outro vírus (adenovírus), que é inócuo ao ser humano. A técnica para criar a imunização no organismo já foi usada em vacinas contra outras doenças, como a Mers e o ebola.

A expectativa dos pesquisadores é ter o resultado da sua eficiência entre outubro e novembro. Com essa confirmação, seus primeiros lotes seriam disponibilizados em dezembro e janeiro.