opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Os custos das indicações

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Atualizado terça-feira,
30 de Junho de 2020 às 13:38

Vale do Taquari

Desde que o Brasil é Brasil as classes políticas desfilam poder em nosso cotidiano. O problema oscila. Ora os políticos perdem poder, ora eles se regeneram e se realimentam com novas benesses. Na média, penso eu, a classe política tem menos poder em relação à décadas passadas. A transparência do setor público, a vigilância via internet e o avanço da iniciativa privada sobre áreas antes resguardadas ao Estado tiraram poder de toda a classe. Em compensação, o excesso de “carguinhos” ainda é uma pedra no sapato do contribuinte.

É tudo pelo poder. E o verdadeiro cabide de emprego que se cria a partir dos “cargos de confiança” em todas as esferas públicas já superou o limite da decência. Diante disso, os bons pagam pelos ruins. Os Cargos Comissionados (CCs) – nome mais pomposo – podem ser muito úteis para o bom funcionamento da máquina pública, e para o bom atendimento ao contribuinte que paga toda a conta. E não faltam bons exemplos de excelentes profissionais neste sentido. Em todo o Vale do Taquari. O problema, como tudo na vida, é o excesso.

A proposta de redução no número de Cargos Comissionados na Câmara de Lajeado é cirúrgica. Pode ser melhorada? Claro. Pode ser replicada no Poder Executivo? Deve. Fato é que a diminuição do poder de cada parlamentar lajeadense segue a crista da onda. Chega de barganhas por “carguinhos”. É hora de otimizar e privilegiar os bons CCs. Não há mais razões para andarmos ou olharmos para trás. É para frente que se anda. Os caminhos se fazem ao andar, e quem caminha na frente precisa ser o exemplo.

E os proponentes iniciais da matéria, os vereadores Mariela Portz (PSDB) e Ildo Salvi (PSDB), precisam dar o exemplo. Não podem seguir com dois assessores cada. Salvi, e eu anunciei isso aqui no dia 11 de junho, teve o filho indicado pelo mesmo PSDB para assumir o cargo de Coordenador Regional de Obras, apenas três meses após o vereador assinar ficha no partido. Com todo respeito ao currículo desses profissionais, e se o objetivo final da redução de CCs em Lajeado é a economia, falta coerência. Afinal, a fonte é uma só: o bolso do contribuinte.

Os caminhos se fazem ao andar, e quem caminha na frente precisa ser o exemplo.”

Da mesma forma, muitos vereadores que atacaram as indicações tucanas também são beneficiados com essa “forma de poder”. Além da dupla de assessores particulares e de Comissões, eles possuem este poder de garantir bons empregos aos apoiadores. É algo bastante naturalizado no cotidiano da política nacional, e com poucos mecanismos legais para inibir a prática. Todos fazem. Muitos admitem, e outros não.

Fato é que não deveria ser assim. Diante do alto número de cargos de “Chefia e Assessoramento” disponíveis neste país quebrado financeiramente, todos deveriam obedecer a critérios muito mais técnicos na hora de nomear ou mesmo indicar qualquer trabalhador. Melhor. Nossos agentes públicos deveriam ter cada vez menos cargos a indicar. Afinal, só assim vamos diminuir ainda mais o poder dos políticos. E só assim vamos definitivamente trazê-los para a nossa realidade.


O telhado do trabalhador

Em entrevista ao Frente e Verso, o presidente do Sindicato dos Comerciários Marco Daniel Rockenbach foi taxativo. Para ele, o momento é inadequado para debater a abertura irrestrita do comércio lajeadense aos domingos – a bancada do PSDB projeta uma Lei de Liberdade Econômica. Segundo o sindicalista, a mudança não vai gerar empregos. “O comerciário teria que pagar para trabalhar”, afirmou. Ele se referia à falta de creches municipais abertas nos fins de semana. Por fim, alertou. “O debate precisa iniciar na base, e não no telhado”. Por sorte, o PL ainda não foi finalizado. Está aberto ao debate e já recebe alterações e sugestões!


Informações “planilhadas”

Em Encantado, a vereadora Andresa Cristina de Souza (Yê), do MDB, encaminhou série de pedidos ao Executivo. Ela quer saber a quantidade – atual e anterior a 2017 – de CCs, secretários e estagiários, e os respectivos salários. Não só isso. De acordo com o texto do pedido, ela quer informações “individualmente ‘planilhadas’ por cargo com total de gastos com salários conforme função e também no formato de planilha comparativa”. Ah, e no mesmo pedido ela solicita “a quantidade de secretarias existentes” no Governo. O que vem por aí?


Otimismo sobre os trilhos

É importante o otimismo da Amturvales. Ninguém sabe até quando ficaremos sob as trevas desta pandemia. Mas a entidade desenvolvedora do turismo no Vale do Taquari aposta na realização de 34 passeios de trem entre outubro e novembro. O projeto em parceria com a ABPF e a Rumo já foi sucesso em 2018. Trata-se do elo que faltava para reconectar as regiões alta e baixa do Vale. Alemães e italianos. Cuca e polenta. O objetivo é integrar os municípios de Estrela, Colinas, Roca Sales, Muçum, Vespasiano Corrêa, Dois Lajeado e Guaporé. Tudo dentro de um só produto. E com todas as medidas sanitárias, tem tudo para dar certo ainda em 2020.