Pra frente é que se anda

opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

Pra frente é que se anda

Por

Lajeado

Sempre gostei da prática de esportes. Em parte, influenciado pelos internatos de colégios por onde passei. De outra parte, como mecanismo para aliviar o estresse inerente ao dia a dia de adulto e às exigências das funções gerenciais de alto nível. A verdade é que é algo prazeroso, faz bem, te insere em grupos sociais, etc. Além dos esportes coletivos, descobri o prazer da corrida e da bicicleta, vendo a paisagem, sentindo o perfume do ar, a companhia das pessoas. Em 2018 conheci um tipo especial de corrida, graças a um grupo muito especial de trilheiros: o Brutus da minha Arroio do Meio, liderado pelo amigo Pedrinho Jung, que por si só, é um exemplo de tenacidade e superação. Como tantos outros grupos, é constituído por pessoas diferenciadas que se motivam, se desafiam e mostram, nas trilhas de morros, um jeito especial de correr e de superar metas e limitações. Assim como inúmeras outras pessoas, com as mais diferentes modalidades esportivas.

Nesta época de polarização de uma pandemia, em que muitos não visam o bem-estar das pessoas, mas o poder político e o protagonismo na mídia, época em que não se sabe para onde ir, de desemprego crescente, em que a bandeira nacional é superada pelo egocentrismo de quem deveria preocupar-se com os brasileiros, pois é nesta época que, semana passada, o Pedrinho postou um desafio no grupo do Brutus: “vamo pro Morro Gaúcho, gurizada”. E lá se foram, em pequenos grupos, dentro do que os protocolos recomendam, sinalizando que é pra frente que se anda.

A trilha em morro é uma corrida diferente. Ora o desafio da subida com altimetria incrível, ora se é arremessado ribanceira abaixo, numa rota estreita em meio ao mato, em que, com uma vista se olha onde será a próxima pisada e, com a outra, se espia o que nos espera mais adiante. Ou tu olhas sempre prá frente, buscando teu objetivo e a fita da chegada, com tenacidade, sem olhar para trás, ou tu te quebras.

Nestes dias, a ACIL aceitou o desafio, através do presidente Cristian Bergesch e do presidente da Expovale, Miguel Arenhart, de realizar esta multifeira, tradicional, alavanca da autoestima e de negócios. Poderiam ter escapado pela tangente, sugerindo não realizá-la “por conta da pandemia”. Mas não. Vamos realizar a Expovale, novembro próximo, motivando a Região e sinalizando ao Estado que estamos imunes às artimanhas políticas e da grande mídia. Que olhamos em frente, cuidando os percalços da trilha, porém vislumbrando a emoção da chegada, do objetivo atingido, do exemplo dado. Tipifica um Vale do Taquari que superou e vai superar os obstáculos postos. Mostra ao Estado e ao País que não assusta a dificuldade da altimetria do desemprego – por certo temporário –, de um PIB decrescente – por certo passageiro -, de um negócio inviabilizado – que por certo nos alavancará para algo melhor. Que tudo isto são dificuldades da trilha, superadas por tantos outros e que nosso grupo também está superando. Com galhardia, com trabalho, com lágrimas e insônias, mas jamais, alquebrado.

Nestes dias, em audiência virtual de grupo regional com o Senador Heinze, este dispendeu parte da fala passando notícias boas obtidas na esfera federal, de avanços possíveis quanto à nossa rede ferroviária, à recuperação da hidrovia, do Porto e do aeródromo de Estrela, da eclusa e hidroelétrica de Bom retiro do Sul, do exemplo de conectividade, via internet, do Município de Imigrante, passível de ser copiado.
Mas, para a concretude destas e de tantas outras realizações – boas para todo mundo – é preciso seguir em frente, deixando que os incautos se quebrem nesta trilha, em que, por certo, seremos vitoriosos. “Bora”, pessoal.