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Emater completa 65 anos de orientação técnica no meio rural

Instituição foi fundada em 2 de junho de 1955. No Vale do Taquari foram feitos quase 180 mil atendimentos

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Emater completa 65 anos de orientação técnica no meio rural
Estado

“É impossível lembrar do aniversário da Ascar sem falar do trabalho abnegado e comprometido de tantos extensionistas que fizeram e fazem a história da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) no Rio Grande do Sul”.

A afirmação é de Geraldo Sandri, presidente da Emater/RS e superintendente geral da Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar), ao avaliar os 65 anos da Ascar, celebrados nesta terça-feira.

A data também permite recordar as muitas ações de melhoria das condições de vida de quem vive no meio rural do RS.

Sandri ressalta que todas foram pensadas, planejadas e realizadas pelos extensionistas nos mais longíquos recantos, onde somente a entidade tem acesso. “Isso é reflexo da vocação de cada técnico e de cada profissional que se dedica a garantir a produção, por exemplo, de alimentos em qualidade e quantidade, que abastecem a nossa população e contribuem para o desenvolvimento econômico e social do nosso Estado”, ressalta.

No Rio Grande do Sul, a Emater está em 497 municípios.

Na região, técnicos visitaram cada propriedade, em média, oito vezes em 2019

União, avanços e conquistas

Fundada no dia 2 de junho de 1955 para orientar o pequeno agricultor a acessar crédito supervisionado e desenvolver a agricultura e o bem-estar da sua família, a criação da Ascar teve como protagonista o diretor do Banco Agrícola Mercantil S.A., Kurt Weissheimer, também presidente da Ascar.

A primeira turma, com 28 extensionistas rurais, continha 15 mulheres da área de bem-estar e 13 homens da área agronômica. O grupo fez o “pré-serviço” (treinamento) na Fazenda Ipanema, em São Paulo. De volta ao RS, os extensionistas colocaram em prática um dos mais tradicionais métodos de Extensão Rural, “visita às propriedades rurais”.

No dia 14 de março de 1977 foi então criada a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS), que se somou à Ascar. Unidas, a Emater/RS e a Ascar passaram a revigorar e a integrar o Sistema Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, sob a coordenação nacional da então Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater), com a missão de promover o desenvolvimento técnico-social.

No mês seguinte, no dia 30 de abril de 1977, tomou posse a primeira diretoria da Emater/RS, composta pelos engenheiros agrônomos Rodolpho Tácito Ferreira, no cargo de presidente; José Inácio Pereira da Silva, diretor técnico; e Edmundo Henrique Schmitz, diretor administrativo.

Na década de 1990, com a extinção da Embrater, a Emater/RS-Ascar passa a se relacionar com a Secretaria Estadual de Agricultura e, por meio de convênio, a executar a política oficial de Aters do RS. Começava uma nova etapa da Extensão Rural, com recursos provenientes de convênio com os municípios, Estado e a União.

Melhorias e programas

Entre os projetos e programas desenvolvidos ao longo da história da Ascar, destaque para a Operação Tatu, desencadeada a partir de 1964, como estratégia para frear o êxodo rural, apontando alternativas para melhorar a produtividade de terras consideradas inférteis.

O nome do projeto fazia menção aos buracos feitos na terra para que amostras de solo fossem enviadas para análise em um laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que na época tinha o Curso de Pós-Graduação em Ciência do Solo, o primeiro na área de fertilidade no país.

O Programa Estadual de Melhoramento e Fertilidade do Solo se expandiu pelo Estado a partir de 1968 com o envolvimento direto da Ascar e da Faculdade de Agronomia e Veterinária, por meio de convênio entre a Ufrgs e Universidade de Wisconsin (EUA), além da Secretaria da Agricultura, Ministério da Agricultura, agricultores, agentes de crédito e entidades parceiras locais.

Os resultados obtidos contribuíram para que o Ministério da Agricultura e o Banco do Brasil fomentassem uma linha de crédito específica para correção da acidez e fertilidade do solo. A partir deste momento, o BB lançou uma linha de crédito específica, com subsídios do Governo Federal e com prazo de pagamento estendidos para de três a cinco anos. As linhas de crédito permanecem até hoje, porém sem subsídio.

O trabalho com solos avançou junto com a história da Extensão Rural gaúcha. A mecanização, na década de 70, a implantação de terraços de base larga, descompactação do solo, eliminação das queimadas da palhada, redução do preparo e introdução de plantas recuperadoras, a partir dos anos 80, e o plantio direto e o trabalho com microbacias, intensificados na década de 90, foram alguns dos marcos da conservação do solo no RS.

Projetão e agroindústrias

Um marco na história da Aters gaúcha é o Projetão, Plano Estadual de Extensão Rural, implementado pela Emater/RS-Ascar entre 1981 e meados de 1985. O objetivo era aumentar de forma significativa o volume da produção e os índices de produtividade da agricultura gaúcha, por meio da transferência de tecnologia agropecuária e gerencial.

Dirigindo fuscas e motos, modelo TT 125cc, os cerca de 300 profissionais da Emater/RS-Ascar levaram muito mais do que informações e conhecimento aos agricultores dos 51 municípios onde o Projetão foi implementado.

O grande diferencial foi a interiorização de técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos, que passaram a residir e atuar em distritos ou comunidades, no intuito de uma maior integração técnico-produtor. O fomento à produção e o beneficiamento de alimentos sempre fizeram parte do trabalho de Aters desenvolvido nos últimos 65 anos em todo o RS.

A área de agroindústria teve seu início com a fundação da Ascar em 1955 e recebeu o nome de Setor de Laticínios (Selact), atuando em consonância com as demais áreas técnicas da Ascar, visando ao desenvolvimento da bacia leiteira do Estado. O período ficou marcado pela organização dos agricultores em cooperativas, que hoje ocupam papel de destaque no setor lácteo.

Na década de 1980, ampliou a sua atuação e passou a atender às demais cadeias produtivas, com ênfase na cadeia da carne, das frutas, das hortaliças e da cana-de-açúcar. Na década de 1990, a orientação institucional determinou a priorização de atendimento aos agricultores familiares.

Em janeiro de 2012, o RS cria a Política Estadual da Agroindústria Familiar, através da Lei nº 13.921, com a finalidade de agregar valor à produção agropecuária, à atividade pesqueira, aquícola e extrativista vegetal, com vistas ao desenvolvimento rural sustentável, à promoção da segurança alimentar e nutricional da população e ao incremento à geração de trabalho e renda.

Em julho do mesmo ano, o Governo do RS lança o Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) e institui o selo de Certificação “Sabor Gaúcho”, que marca a certificação de produtos provenientes de estabelecimentos de produção artesanal, legalizados sob o ponto de vista ambiental, tributário e sanitário. Em 2017, mais de mil agroindústrias já possuíam o selo Sabor Gaúcho. Hoje, são mais de 1,4 mil agroindústrias cadastradas no Peaf.

No Vale

No ano passado os servidores da Emater do Vale do Taquari realizaram quase 180 mil atendimentos para 20 mil e 900 famílias. Cada propriedade foi visitada, em média, oito vezes ao ano.

O escritório regional, com sede em Lajeado, reúne ao todo 55 municípios, divididos em dois coredes, Vale do Taquari e Vale do Caí.

A equipe acompanha diversas culturas com destaque para erva-mate, avicultura, suinocultura, bovino, leite, piscicultura, apicultura, olericultura, floricultura, fruticultura, floresta exótica e carvão vegetal.

Para fazer este trabalho, mantém parceria com prefeituras municipais, cooperativas, instituições, universidades e conselhos regionais e municipais.