opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Um intenso debate sobre mobilidade!

Por

Vale do Taquari

O primeiro diagnóstico do Plano de Mobilidade Urbana de Lajeado é inspirador. A gama de possibilidades e inovações apontadas traz alento. Porém, também demonstra a nossa ineficiência perante situações básicas do cotidiano. Estamos atrasados para a tal “sustentabilidade e harmonia no trânsito”. O grande desafio é melhorar o índice de motorização de 1,5 habitantes por veículos para próximo de cinco habitantes por veículo. Ou seja, teremos muito trabalho pela frente!

A compilação de dados demonstra que a maior parte da população (31%) gasta entre 10 e 15 minutos diários com deslocamento – outros 10% gastam mais de 30 minutos. A conclusão é resultado de duas pesquisas. A primeira, denominada “TransMob Lajeado”, verificou a percepção popular sobre o transporte coletivo. E a segunda, a “Mob Lajeado”, verificou aspectos gerais da mobilidade local. Quase duas mil pessoas colaboraram.

É um estudo necessário para angariar recursos federais, sim. Mas o plano tem uma importância muito mais significativa.”

É um estudo necessário para angariar recursos federais, sim. Mas o plano tem uma importância muito mais significativa. Entre 2010 e 2019, Lajeado registrou um acréscimo de 35,1% na frota municipal – que tende a ser muito maior em função da “frota flutuante”. Hoje são 71 mil veículos – 0,97% da frota estadual – para 84 mil habitantes. É muita coisa. Basta sair às ruas e observar. Dificilmente encontraremos um carro com lotação máxima na área urbana.

Dito isso, o estudo verifica diversos aspectos qualitativos à disposição de vagas de estacionamentos de carros e motos; rotativo – a empresa Stacione Rotativo não apresentou número de vagas; espaços especiais para idosos e pessoas com deficiência; sinaleiras e áreas de entorno dos principais polos geradores de tráfego. E alguns problemas já foram facilmente identificados pelos pesquisadores. Entre esses, a incômoda desarmonia na rede semafórica.

São intensas as reclamações acerca do sistema de sinaleiras da cidade. De acordo com o relatório, “o sistema deve ser revisto e atualizado” e o governo deveria rever o contrato firmado com a empresa de manutenção, que “não possui técnico instalado na cidade para devidos ajustes em tempo hábil”. Hoje, são 36 cruzamentos semaforizados, sendo 65 aproximações com gradativos, 85 repetidoras, e 118 de pedestres.

Sobre os pedestres, o diagnóstico sugere a revisão dos critérios técnicos para instalação de faixas de segurança a menos de cinco metros das esquinas, com objetivo de ampliar a visibilidade dos usuários e condutores. Os pesquisadores também apontam “despadronização” dos pavimentos das calçadas, rampas de acessibilidade em desconformidade com as normas e com revestimentos inadequados. E também aponta obstáculos. Muitos obstáculos.

O relatório encomendado pela Secretaria de Planejamento (Seplan) ainda avaliou que toda a rede cicloviária resta “fragmentada e com vários trechos desativados”, e pouco mais de 38% utilizam os espaços. Desrespeito por parte de condutores de veículos, ausência de bicicletários e de um programa de incentivo ao modo cicloviário foram outras observações pertinentes. Além do próprio comportamento de alguns ciclistas, que insistem em pedalar no contra fluxo.

Por fim, o diagnóstico verificou as condições do serviço de transporte público coletivo, que é o modal mais priorizado entre os pesquisados – 62% utiliza para ir ao trabalho, e a maioria dos usuários possui entre 18 e 27 anos de idade. Falta de sinalização, abrigos inadequados, e os próprios itinerários dos ônibus geram um aumento no número de viagens por dia por automóvel e motocicletas. Problemas antigos. Mas de difícil solução.

O diagnóstico já está nas mãos dos agentes públicos. Agora é preciso construir soluções.


Câmara fria e pandemia

O governo de Lajeado adquiriu de forma “emergencial” uma nova câmara fria para o Departamento Médico Legal (DML), instalado no bairro Florestal. A aquisição faz parte do combate à covid-19, e está no orçamento do chamado Plano de Contingência Coronavírus, instituído por meio de decreto municipal. O custo será de R$ 20,4 mil e o equipamento foi adquirido com uma empresa de Arroio do Meio. É uma demanda antiga. E só foi possível atender em função da pandemia.


Nova rótula em Lajeado

O governo municipal apresenta o projeto de uma rótula para interligar as ruas Bento Rosa, Capitão Leopoldo Heineck e Décio Martins Costa, nas proximidades do Arroio do Engenho, no centro de Lajeado. Trata-se de uma nova rota até a beira do Rio Taquari, interligada com a Rua Osvaldo Aranha. Chefe do Setor de Projetos Especiais da prefeitura, o engenheiro Isidoro Fornari estima que a obra seja finalizada ainda em 2020.

 


Inovação rejeitada

Os vereadores de Encantado rejeitaram a criação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta do Executivo só teve dois votos favoráveis – Valdecir Gonzatti (MDB) e Jaqueline Taborda (PSDB). Questionado, o presidente da Casa Legislativa, Diego Pretto (foto), do PP, tenta justificar. “Não é hora e poderíamos investir este recurso em outras ações.”

É uma pena. A maioria dos vereadores optou por trancar um inovador movimento do Executivo. A maioria dos parlamentares encantadenses decidiu ir à contramão do desenvolvimento inteligente, replicado em todo o Estado por meio de movimentos globais, nacionais, regionais e também locais. Encantado perde com a decisão do plenário.


Aluguel e pandemia

Após a aprovação de um pré-projeto em Arroio do Meio, agora chegou a vez de Teutônia estudar uma forma de subsidiar alugueis para os comerciantes. A proposta segue sob a avaliação de uma equipe da prefeitura e da Câmara de Indústria e Comércio da cidade.