opinião

Rodrigo Martini

Rodrigo Martini

Jornalista

Coluna aborda os bastidores da política regional e discussão de temas polêmicos

Vamos cuidar dos idosos!

Por

Vale do Taquari

Sem emprego e renda, teremos empobrecimento em massa, fome, criminalidade e morte. Sem empresas e indústrias atuando minimamente, haverá queda no abastecimento e na arrecadação, e o inevitável déficit nos sistemas públicos de saúde, assistência social, segurança e educação. Não podemos nos iludir com a realidade de outros países. O Brasil é um país quebrado, subdesenvolvido e com poucas fontes de riqueza. Não haverá recursos estatais para salvar a todos em médio ou longo prazo. É preciso concentrar cuidados nos idosos!

Vamos cuidar dos idosos. Vamos observar menos a matemática simples ou as bandeiras, e vamos mapear os idosos. Vamos identificar todos com comorbidades e protegê-los. Vamos monitorar todos que não possuem netos ou filhos para irem ao mercado ou a farmácia, e vamos garantir o abastecimento. Nós precisamos focar em quem de fato corre o risco maior. Não adianta ficar dando voltas atrás do próprio rabo e sempre chegar à mesma conclusão. Neste meio tempo, mais idosos morrem desamparados e o colapso econômico se aproxima.

Precisamos de equilíbrio para resguardar a saúde mental de quem precisa lutar para salvar os idosos.”

Vamos monitorar idosos com necessidades de exames, e vamos levar os médicos até suas respectivas residências. Vamos deixá-los em casa e, em último caso, vamos organizar horários para recebê-los com segurança em mercados, bancos, farmácias. Não é fácil, eu sei. Também estou distante dos meus pais e, consequentemente, meus pais estão distantes do meu filho. É duro. Mas precisa ser duro para todos. E não para uma minoria que se preserva em detrimento de uma maioria que está pouco se lixando. Vamos cuidar de todos os idosos.

Os números estão aí. Quem está morrendo às pampas são os nossos idosos. São raros os casos de pessoas mais jovens que sucumbem à Covid-19 – e não menos lamentáveis, claro. A imensa maioria dos óbitos registrados desde o início da pandemia é de pessoas acima de 60 anos. É este o “público alvo” do novo coronavírus, e não adianta aplicar o mesmo remédio para todos. Definitivamente, isso não vai salvar a nossa parcela mais carente e vulnerável. Pelo contrário, isso vai jogá-los aos leões e enfraquecer quem precisa cuidar dos mais frágeis.

O colapso econômico não será coisa pouca. Será duro e prolongado. Todos vamos sangrar. Haverá mortes, separação de famílias, e uma onda jamais vista de depressão em massa. Precisamos de equilíbrio para resguardar a saúde mental de quem precisa lutar para salvar os idosos. Já escrevi, falei e repito: chega de romantismo. Sejamos pragmáticos. A cova já está entreaberta, mas ainda temos a chance de evitar a pá de cal. Há vida pós-pandemia, sim. É claro. Mas isso, inevitavelmente, depende de nossas ações no presente momento.


“Vaquinhas” gordas ou magras?

A partir desta semana estão liberadas as chamadas “vaquinhas” virtuais para abastecer as pré-campanhas eleitorais municipais. O modelo já foi utilizado no pleito de 2018, mas tende a ser ainda mais importante em meio às incertezas desencadeadas pela Covid-19. Há dois anos, a modalidade de arrecadação a partir das plataformas digitais captou cerca de R$ 20 milhões no país – bem menos do que o fundo eleitoral daquele ano, superior a R$ 1,7 bilhão.

O limite de contribuição individual diária é de R$ 1.064. No total, deve ser respeitado o máximo de 10% dos rendimentos do doador. No Vale do Taquari, o pré-candidato a prefeito de Estrela, Diego de Castro (DEM), saiu na frente. Ontem, ele lançou sua “vaquinha virtual”. A meta é atingir R$ 108 mil em quatro meses, com um jargão direcionado ao seu público alvo: a Direita estrelense. Agora só resta saber se a vaquinha será gorda ou magra…


O novo coronavíru$

Em São Paulo, gestores de municípios que não prestarem informações sobre as receitas e os gastos de recursos no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus poderão receber multas indenizatórias impostas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo. Caso não cumpram as regras e orientações, prefeitos estarão sujeitos a pagar valores indenizatórios que podem chegar R$ 55,2 mil, dentre outras sanções administrativas.

No Rio Grande do Sul, o TCE emitiu uma circular com diversas orientações aos gestores. Além de abastecer o site do próprio tribunal – onde já constam mais de mil contratos de 200 órgãos públicos, totalizando mais de R$ 200 milhões –, o órgão fiscalizador cobra atualizações nos portais da transparência municipais, sob o risco de apontamentos ou reprovação de contas. Ou seja, a preocupação é grande com os altos gastos previstos no combate à Covid-19.

Em Estrela, a preocupação parece ser ainda maior. Por determinação do presidente da Câmara de Vereadores João Braun (PP), o Legislativo criou uma Comissão Especial para fiscalizar todos os recursos e aportes financeiros exclusivos e vinculados à Covid-19. Há críticas em relação à forma como os valores foram aplicados no município, especialmente em relação a demora na homologação dos leitos de UTI.


A primeira hidrelétrica!

Com a obra de ligação entre as ruas Bento Rosa e Osvaldo Aranha – e o prolongamento da rua Capitão Leopoldo Heineck –, no centro antigo de Lajeado, foi possível avistar novamente a primeira hidrelétrica do município, localizado quase na foz do Arroio do Engenho, a poucos metros do Rio Taquari. A estrutura foi implodida anos atrás, mas parte da edificação segue intacta. É um pouco de nostalgia em meio às novidades viárias do principal município do Vale do Taquari.