opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

Quando o bonito é feio…

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Lajeado

Vindo para trabalhar, olho para cima e vejo um tom de azul maravilhoso. Um céu limpo, esplendoroso. Enfim, um dia lindo, lindo.

Mas esta beleza esconde algo. Não é um dia bonito de verdade.

Queríamos mesmo um dia de chuva. De muita chuva. A gente não quer. A gente precisa.
Eu, tu, todos. Sim. Isso mesmo. Chuva. Muita chuva.

A seca que vivemos agora deve se transformar na maior da história. E os reflexos disso já se fazem sentir.

O agronegócio já chora suas perdas que talvez serão compensadas pela disparada do dólar. Mas há perdas maiores. Falta água nas pequenas propriedades rurais. Há falta de agua para consumo humano. E isso não é exclusividade das propriedades rurais. Passou a ser rotina de muitos municípios.

A água é entregue em caminhões pipa. Para beber, tomar banho, cozinhar… E as previsões para próxima semana, são desanimadoras. A chuva que vem, será insuficiente para repor os reservatórios.

Estamos convivendo com uma grande estiagem, mas por conta de outros eventos (leia-se COVID) pouco se fala disso.

Podemos olhar o problema de várias formas. Mas um ponto muito importante é o consumo/uso da agua tratada que costumamos fazer. O abuso e desperdício são regras. Enquanto que a OMS sugere o uso de 110l/perca pita/dia, o brasileiro usa 154 litros.

Uma máquina de lavar louça gasta 40 litros a cada lavagem, enquanto a lavadora de roupas, 180l. Subitamente, nos damos conta que sim, a agua pode ser um recurso finito.

As imagens do Rio dos Sinos, do Rio Uruguai, do Rio Taquari, do Rio das Antas são assustadoras. Lamentável que a questão não esteja no radar.

Enfim, dia bonito, mas mesmo, agora, seria um bom dia de chuva.

Um, não. Muitos dias de chuva…