Farinha pouca, meu pirão primeiro… Covid-19 e as Mães

opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

Farinha pouca, meu pirão primeiro… Covid-19 e as Mães

Por

Lajeado
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No mês de fevereiro, escrevi sobre minhas dúvidas da possibilidade de ainda ser possível acreditar nos homens. Dizia, na oportunidade, que vivemos em uma sociedade individualizada, egoísta e que está mais preocupada com o seu próprio umbigo do que com os demais seres que a cercam, sejam humanos ou não; que os homens jamais fazem algo apenas para os outros, sem qualquer motivo pessoal.

Bem, passados três meses lembrei de um ditado popular, que ganhou destaque na voz do saudoso Bezerra da Silva, chamado: Farinha Pouca. Um dos versos da música diz: farinha pouca, meu pirão primeiro, esse é um velho ditado, do tempo do cativeiro” .

A partir do verso é possível pensar que isso guarda aderência com o egoísmo prevalente na sociedade, onde quem tem muito sempre quer ter mais, de pensar sempre em si esquecendo dos demais. No entanto, com o advento da Covid-19, surgiram inúmeras inciativas, que vão de encontro a esta forma de pensar, ganharam força e se multiplicaram pelos rincões do RS.

Particularmente, no Vale do Taquari, identificamos a mobilização da comunidade, desde os indivíduos, passando pela a universidade, por grandes organizações, que passaram a confeccionar máscaras, jalecos, produzir álcool gel, providenciar alimentos, medicamentos, atenção psicológica, doações de tempo e dinheiro, entre tantas outras.

Foi possível constatar a “divisão do pirão” (mesmo com farinha pouca), constatar que a solidariedade faz parte da vida dos seres humanos. Talvez, em proporções maiores do que notadamente conseguimos ver. Isso faz com que possamos acreditar nos homens. A pergunta que fica é: que motivo nos leva a este movimento somente em momentos de grande dificuldade? Claro que este comportamento não é exclusivo destes momentos, mas prevalente.

E as Mães, qual a relação? Bem, não acredito que alguém vá discordar de que as Mães são a verdadeira expressão da solidariedade, da bondade para com os outros, não só para com seus filhos.

Uma mãe, e poderia me arriscar a dizer que também um pai, sempre coloca o outro como prioridade. Muitas são as vezes que deixam de comer, de vestir para dar aos seus filhos. Uma Mãe está sempre pronta para estender a mão, para dar um colo, para acolher nos braços, demonstrando em seus atos, muito da divindade do que deve ser o “Deus”. Uma Mãe sempre irá dividir o que tem sem esperar uma retribuição, sem esperar o agradecimento, o reconhecimento, simplesmente faz o que seu coração manda fazer. Nestes tempos de Covid-19 vemos o “ser um pouco Mãe” na atuação dos profissionais da saúde, da segurança, entre outros, que estão ofertando o seu melhor para salvar vidas, sem esperar retribuição. Para todas as Mães, em especial a Denise Cyrne, mãe das minhas filhas, e aos profissionais que se encontram no enfrentamento deste grande desafio o nosso: Muito Obrigado e Feliz dia das Mães.