Em meio à pandemia, PRF registra aumento nas apreensões de drogas

Rota do Tráfico

Em meio à pandemia, PRF registra aumento nas apreensões de drogas

No trecho sob responsabilidade da delegacia de Lajeado da PRF, agentes retiraram das ruas mais de uma tonelada de entorpecentes nos primeiros quatro meses deste ano. Total é três vezes mais do que o mesmo período de 2019

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Em meio à pandemia, PRF registra aumento nas apreensões de drogas
Vale do Taquari
Gustavo Adolfo 2 - Lateral vertical - Final vertical

Nos quatro primeiros meses deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu cerca de sete toneladas de drogas nas rodovias do RS. No trecho de 250 quilômetros resguardado pela delegacia de Lajeado, foram mais de 790 quilos de maconha e 212 quilos de cocaína.

Na tarde dessa quarta-feira aconteceu o flagrante mais recente. Foram 300 quilos de maconha em um comboio de três veículos. Oito traficantes foram presos. Conforme a PRF, o serviço de inteligência estava rastreando os criminosos. Inclusive a operação teve apoio aéreo.

Os policiais abordaram um Ford Fiesta com placas de Campo Bom; um Volkswagen Gol com placas de Parobé, e um Volkswagen Jetta com placas de Cascavel, no Paraná. O carregamento de maconha, distribuído em fardos e tijolos, estava no porta-malas do primeiro veículo. Já os outros dois carros foram identificados como batedores. Entre os presos encontravam-se gaúchos e paranaenses. O grupo confessou que buscou a droga no Mato Grosso do Sul e entregariam na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Conforme o chefe substituto da 4ª Delegacia de Lajeado, Marcos Schmitz, comparando os quatro primeiros meses desde 2016, este ano teve um aumento expressivo na apreensão de maconha e em todo o RS. A exceção é 2018, quando foram apreendidos mais de seis toneladas de drogas na BR-386.


“A BR-386 é um corredor do tráfico”

Marcos Schmitz, chefe substituto da 4ª Delegacia da PRF (Lajeado)

Conforme o agente, a pandemia exigiu uma revisão de estratégias e mais cuidados para preservar a saúde dos policiais e da população. Ainda assim, o número de apreensões de drogas cresceu nestes primeiros quatro meses. Na avaliação de Schmitz, a BR-386 é o trajeto mais curto entre o Paraguai e a Região Metropolitana da capital. Isso faz com que grupos que vendem drogas adotem o trecho da região do Vale do Taquari para abastecer pontos de tráfico.

De que forma a pandemia impactou nos serviços da PRF, em termos de estratégias, efetivos e necessidade de distanciamento?

Schmitz – Desde o início da pandemia, a PRF tem adotado medidas para a proteção de seus servidores, principalmente pela orientação ao uso de equipamentos de proteção e direcionamento de ações mais pontuais e assertivas, principalmente no combate ao crime. A instituição manteve o pessoal às atividades essenciais, pois a segurança pública não pode parar. É preciso manter a segurança da população e ao mesmo tempo preservar a saúde do cidadão e do policial. Essa ação precisa ser coordenada.

Por que a BR-386 se tornou uma rota de tráfico?

Schmitz – Historicamente, a BR-386 é um corredor do tráfico, pois é o caminho mais curto entre a fronteira com o Paraguai, principal produtor de maconha, e a região metropolitana de Porto Alegre. A alta movimentação de veículos de carga, aliada ao movimento natural de milhares de veículos de passeio todos os dias dificulta a fiscalização, e as organizações criminosas sabem disso.

Além do tráfico de drogas, também há uma grande preocupação com o contrabando. Qual a relação desse delito com a atuação de organizações criminosas conhecidas pela venda de entorpecentes?

Schmitz – O contrabando é uma prática de importação ou exportação clandestina de mercadorias e bens que dependem de registro e autorização do órgão público competente. Ainda temos a prática do descaminho que é a entrada de produtos permitidos, porém sem o pagamento ao fisco. Os criminosos tentam de toda forma burlar a fiscalização, pois o descaminho é um crime mais brando. Porém, é preciso entender que o contrabando, principalmente de cigarros, está diretamente ligado ao tráfico de drogas, que por sua vez está ligado à maior parte dos crimes violentos, pois as organizações criminosas utilizam-se desse meio para financiar as outras práticas de crimes, como um ciclo vicioso.