opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

O mundo para além da Covid.

Por

Lajeado

Da residência em Arroio do Meio vejo o Morro Gaúcho. Imponente, reserva ecológica e ponto turístico. Mirando aquela imensidão de montanha imagino qual o mundo que há do outro lado. Qual a geografia pós Morro Gaúcho? Existirão cidades? Que tipo de raças e pessoas?

Esta divagação me levou de volta à Picada Felipe Essig, em Travesseiro, onde me criei. Nos meus 7 ou 8 anos, as montanhas que a cercam, pareciam intransponíveis. Havia uma que me intrigava especialmente. Uma enorme, localizada atrás de Marques de Souza. Haveria outro mundo do outro lado? Certo dia meu avô convidou-me para acompanhá-lo na visita que faria a uma das filhas que residia do outro lado daquela montanha. Segurando sua mão, lá fomos nós, subindo pelas estradas de carroça. No topo, entramos mato adentro, e, de repente, numa visão que me acompanha vida afora, saímos do outro lado e a paisagem maravilhosa do vale do Arroio Forquetinha se descortinou. Sim, também havia um mundo por detrás do “morro de Marques de Souza”, que antes parecia intransponível. Roças bonitas, pessoas bonitas e afáveis, animais, campos de futebol, escolas.

Desde janeiro deste ano, de forma crescente estão nos rodeando de morros enormes, que nos pintam como intransponíveis. E serão, quanto a como nos portarmos diante da Covid-19, se nos prostrarmos à pregação da grande mídia e de grupos políticos que têm o despudor de aproveitar uma pandemia, visando a campanha presidencial de 2022. Estes não ligam para a democracia, habituados a buscar seus interesses a qualquer custo, mesmo que sendo o da instabilidade institucional. E é esta que devemos preservar, inclusive, mantendo o discernimento e a tranquilidade, aguardando o desenrolar dos fatos e o posicionamento do Presidente, diante da saída de um Ministro proeminente como Sérgio Moro.

Entrevista do Senador Heinze à Rádio A Hora há duas semanas, e a audiência, por Skype, com o mesmo nesta quinta-feira, feita pela CIC Vale do Taquari, mostraram que há outro mundo por detrás das montanhas – transponíveis – que formaram com a Covid-19. Um mundo que pode e deve ser trilhado. Com todos os cuidados para se lidar com a pandemia (que é séria), seguindo as orientações da imprensa e das lideranças de bem. Os mesmos cuidados que se tem visando preservar-nos de outros perigos: não sair à noite no centro de Porto Alegre, reduzir a velocidade na estrada em noite de chuva, não reagir a um assaltante, procurar socorro médico em caso de doença, etc.

Há um mundo além da Covid-19 com milhões de desempregados, com milhares de presos sendo soltos, com número crescente de pessoas passando fome e perdendo sua dignidade, com uma seca sem precedentes, com dezenas de milhares de produtores de leite sendo excluídos do processo devido à seca e devido à desorganização do setor. Em que cresce o número de óbitos porque pessoas não buscam socorro médico tempestivamente, com medo das emergências dos hospitais e dos consultórios médicos.

Mas este novo mundo também tem coisas fantásticas e novos hábitos: segundo o senador Heinze, a municipalização do Porto de Estrela está assegurada, para privatizá-lo e transformá-lo em plataforma logística. Também o aumento e pavimentação da pista do aeroporto de Estrela. A reforma da eclusa de Bom Retiro do Sul, melhorando a navegabilidade do Rio Taquari. E ainda, melhorias na rede ferroviária regional. Um mundo com empresas e profissões liberados, com responsabilidade. Um mundo com menos reuniões e menos imprensa facciosa e manipuladora. Lidando com cautela nas crises, assegurando um mundo estável politicamente. Vale transpor o morro da Covid-19 e suas consequências que tentam nos impor. Vamos juntos nesta boa jornada.