Então…

opinião

Hugo Schünemann

Hugo Schünemann

Médico oncologista e diretor técnico do Centro Regional de Oncologia (Cron)

Então…

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Atualizado sábado,
18 de Abril de 2020 às 09:27

Lajeado

Há dois dias ouvi na rádio, que dos 54 itens que compõe a cesta básica, 37 subirão de preço. Isso mesmo. Ouvi também que os ovos e o leite também subirão de preço. Em alguns casos, mais de 10%.

Mas, na pandemia, o álcool gel subiu de preço. As máscaras (N95, de uso profissional), custava R$2,00 passou a custar R$22,00. Isso. Os bancos, embora tivessem lucros estonteantes no ano de 2019, precisaram socorro do governo e… aumentaram os juros.

E assim, vemos alguns indivíduos e até mesmo setores que se aproveitaram da crise para adquirir lucro.
Por outro lado, vemos gente séria, empresários com visão social e comprometimento com o futuro, tentando de toda forma contribuir para amenizar sofrimento ou dificuldades pelos quais a sociedade está passando.

As contribuições são de todos os tipos, industrias de automóveis que passaram a fabricar respiradores, tão necessários no momento. Cervejarias, grandes e pequenas que passaram a produzir álcool gel. Universidades que transformaram seus laboratórios para produzir álcool gel ou para auxiliar no diagnóstico da covid-19.

Fabricas têxtis e ateliers que passaram a fabricar mascaras descartáveis, roupas descartáveis, para equipar os profissionais da saúde, expostos e correndo risco de vida tentando salvar outras pessoas.

Vemos movimento de grupos, doando cestas básicas e mesmo dinheiro para que os hospitais, governos municipais e estaduais possam fazer frente ao desfio que o momento impõe.

Gente se preocupando com os pequenos negócios agora, inviabilizados por cota do isolamento social.

É um momento difícil, sem dúvida. Há 5 semanas atrás se alguém dissesse o que estaríamos por ver (talvez não vimos o pior ainda), seria ridicularizado. O mundo em que vivíamos não existe mais.

Ao sairmos desta situação, viveremos diferente. Ainda que exista aqueles que estão ganhando muito dinheiro às custas da epidemia, alegando a lei da oferta e procura, vemos um movimento maior, da sociedade no sentido da solidariedade e da serenidade para enfrentar o momento.

Os tempos ruins vão passar.

Tenho certeza que as esquipes de saúde não vão reajustar os valores de seus serviços, por conta da lei da oferta e procura…