Ciência ou Política: o que deve prevalecer?

opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

Ciência ou Política: o que deve prevalecer?

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Atualizado sexta-feira,
10 de Abril de 2020 às 09:27

Vale do Taquari
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Como deve estar ocorrendo com os demais colunistas, fiquei em dúvida sobre o que escrever. As páginas dos jornais, a programação das rádios, os canais de TV e as redes sociais estão inundadas de reportagens, de informações, de verdades, de falsidades, sobre a situação caótica da covid-19.

Há quem afirme o que irá ocorrer, os que calculam probabilidades das consequências, do número provável de leitos de UTI necessários, do possível número de óbitos, etc. Bem não tenho estas habilidades, portanto só ouço. Mas nesta hora é preciso considerar a Ciência como aquela que pode (e deve) apresentar as verdades, mesmo que provisórias.

Temos acompanhado o trabalho do Ministro da Saúde que tem buscado pautar as diretrizes com base na Ciência, nos conhecimentos, nas verdades que vigem. De outro lado, os políticos (em especial um, o maior, o mandatário) fazendo política, quer dizer…. O título de hoje é decorrência da lembrança de um livro lido há um bom tempo: Ciência e Política: Duas Vocações, resultado de dois ensaios do Sociólogo alemão Max Weber escritos no início do século passado, mas que me parece podem ser visitados para compreender um pouco do que está acontecendo: uma disputa pelo Poder.

Sim, o poder, um dos temas de estudo de Weber e por ele definido como sendo a possibilidade que uma pessoa ou um grupo de pessoas possuem de realizar a sua própria vontade numa ação comum, mesmo contra a resistência de outros. A Ciência, o conhecimento fez, e faz, o Homem poderoso, “superior” a todos os outros animais e espécies da natureza. O conhecimento científico pode ser tido como o impulsionador do “progresso” do “desenvolvimento”. Sem as descobertas científicas, provavelmente estivéssemos vivendo em condições “menos favoráveis”.

O cientista é um profissional que não se satisfaz com encontrar respostas, mas sim com a constante busca de formular novos questionamentos que nos permitam “avançar”. Assim temos progredido, e muito, nas diferentes áreas e melhorado e prolongado a expectativa de vida da população. Um cientista nunca tem sua obra acabada, está sempre em movimento derrubando e estabelecendo novas verdades. É o que estamos vendo ocorrer neste momento. Quem conhece tem poder.

De outro lado Weber entende que a política é o conjunto de esforços realizados com a finalidade de participar do poder ou influenciar a divisão do poder seja entre os Estados ou no interior de um único Estado (veja as atitudes do governo dos EUA) e continua afirmando que qualquer homem que se entrega à política aspira o poder.

Bem, chegamos impasse: neste momento que poder devemos acatar: Ciência ou Política? O que deve prevalecer para definir as estratégias a serem implementadas para possibilitar o atendimento dos “interesses” e “necessidades” da população? A possibilidade de influir no comportamento dos seres humanos é a verdadeira expressão do poder.

Nesta disputa surgem as vaidades, que colocam em campos antagônicos as duas partes. Porém, para que possamos superar as dificuldades (com o menor número de baixas, já que tantos dizem que estamos em guerra) será necessário valer-se das duas fontes de poder.

Será necessário usar da complementariedade, as virtudes da Ciência e da Política, deixando de lado os interesses mesquinhos dos indivíduos envolvidos na condução da Nação. Será necessário fraternidade entre os homens e compreensão das limitações da Ciência e da Política. Alguém pode estar se perguntando: e o poder econômico, que tanto influi na política e financia a ciência. Bem, dele falamos em outra oportunidade.