opinião

Fernando Weiss

Fernando Weiss

Diretor de Mercado e Estratégia do Grupo A Hora

Coluna aborda política e cotidiano sob um olhar crítico e abrangente

Chegou a hora, senhores

Por

Vale do Taquari

Todos os cidadãos, empresas, empregados, autônomos, liberais, informais, etc., pagarão a conta do impacto econômico que vivemos. Ninguém está imune à covid-19 e nem aos cortes de receita que devem afetar toda a população. Por assim ser, o fardo precisa ser compartilhado.

Chegou a hora, senhores prefeitos, vereadores, deputados, senadores, juízes, promotores, ministros, de vocês darem a sua contribuição. Cortar da própria carne, além de fundamental para a economia, é simbólico para mostrarem ao cidadão que estão juntos no carregamento do fardo.

É promissor um movimento iniciado em duas cidades do Vale do Taquari, onde os prefeitos de Arroio do Meio e Teutônia anunciam corte nos próprios e nos salários de secretários, CCs e FGs para aplicar o dinheiro em medidas de combate ao coronavírus. Nas duas cidades, a economia projetada com os cortes já se aproxima de R$ 700 mil. Veja bem: dois canetaços representam quase R$ 700 mil a mais para aplicar em medidas de saúde.

Além deles, os vereadores de Estrela votam na próxima semana uma medida ainda mais impactante e duradoura. Estão reduzindo em 20% para os próximos quatro anos, o salário dos vereadores, prefeito e vice. O mesmo já fez a câmara de Travesseiro, com medida ainda mais rígida, reduziu tudo em 50%, inclusive o salário dos secretários.

O fato é que estamos diante de um cenário desafiador, onde o esforço precisa, mais do que nunca, ser mútuo. A gente assiste nos últimos anos, um aparelhamento dos poderes públicos, especialmente nos Legislativos. Os exageros estão em todas as esferas, com regalias, benesses e penduricalhos que já não cabem no bolso do contribuinte.

Agora, a pandemia está cobrando o preço. Tivéssemos feito a lição de casa, ter tratado com mais austeridade e responsabilidade o dinheiro público, não estaríamos aplicando R$ 15 milhões só em salário de vereadores no Vale do Taquari. Nem estaríamos com elefantes brancos espalhados pelo país só por capricho e interesse midiático para fazer uma Copa do Mundo no Brasil. Nem teríamos criado tanto vale terno, vale disso, vale daquilo para o poder Judiciário, Executivo e Legislativo. A conta chegou.

Espero que nossos representantes tenham a sensibilidade de aproveitar o momento e fazer o que lhes cabe.”

O coronavírus nos permite, justamente, passar algumas coisas a limpo. Espero que nossos representantes tenham a sensibilidade de aproveitar o momento e fazer o que lhes cabe. Cortar os excessos que a sociedade não suporta mais. E porque não, fazermos do Vale do Taquari um grande exemplo para o país. Repito: as medidas adotadas em Travesseiro, Estrela, Arroio do Meio e Teutônia são fundamentais pela economia, mas também pelo simbolismo.

Tenho certeza que ao longo da semana, outros chefes de Executivos se somarão a este grupo. E assim espero, que faça o poder Legislativo. Salários de vereador que passam de R$ 7 mil, como é o caso em Lajeado, com cada um tendo mais dois assessores, sem falar nos demais custos, elevam o gasto individual de cada parlamentar para quase R$ 15 mil. É demais, senhores. E faz tempo que é demais.

Outras câmaras, das menores e maiores, coloquem a mão na consciência e olhem ao redor: vereador não é profissão. Compartilhem o fardo com o cidadão, com o vizinho, o produtor rural, o autônomo, o vendedor de picolé, a faxineira, o servente, que talvez não terá para comprar leite e pão mês que vem.

A hora de fazer as reformas é agora. Que o Vale do Taquari possa ser um exemplo e servir de inspiração para o resto do Estado e, por que não, do país.