Editorial

Para dividir a conta

Para dividir a conta
Lajeado

É crítico o cenário que se desenha para a economia brasileira nos próximos meses. Empresários e trabalhadores precisarão de muita resiliência para enfrentar o período e conseguir se recuperar numa perspectiva de médio a longo prazo.

Austeridade, planejamento e cautela são fundamentais. Tanto no mundo dos negócios, como no ambiente familiar. Organização financeira e contenção de gastos são movimentos decisivos agora para determinar o que acontecerá após o ápice da pandemia.

O socorro do governo federal a empresas e trabalhadores chega em boa hora na tentativa de frear as demissões. A exemplo do que governos têm feito mundo afora, a União precisa fazer a sua parte e prestar o apoio necessário para manter o máximo de vínculos empregatícios.

Inevitavelmente, as perdas ocorrerão para todos. Empregados e empregadores, autônomos e trabalhadores de carteira assinada. Em todos os segmentos, os impactos serão sentidos. Faturamentos comprometidos, jornadas e salários reduzidos, contratos suspensos. Independente dos auxílios governamentais, falências e demissões acontecerão.

A preocupação, contudo, é que a conta não fique somente com a sociedade civil. Além das medidas e programas para reduzir os efeitos da crise econômica que se instaura de forma paralela à emergência em saúde, o setor público também precisa fazer a sua parte.

Importante lembrar que os maiores salários, por exemplo, ainda estão no Judiciário, Legislativo e Executivo. Qual é o tamanho do sacrifício que esses poderes farão para aliviar a crise no país? Não é justo que somente a classe empresarial e trabalhadores sejam prejudicados.

Os bons exemplos devem ser exaltados. Em Arroio do Meio, o governo municipal cortou na própria carne e decretou a redução de 40 % no salário do prefeito, 30% no salário do vice e 20% para os secretários. Assessores terão diminuição de 10% na remuneração.

É justo que todos os setores, seja em nível regional, estadual ou nacional, se envolvam no esforço necessário. Achatar a curva de crescimento de casos de covid-19 é a prioridade no momento. Isso significa salvar vidas e evitar o esgotamento do sistema de saúde. Não menos importante, porém, é fazer o possível para evitar o caos socioeconômico.