opinião

Ardêmio Heineck

Ardêmio Heineck

Empresário e consultor

Assuntos e temas do cotidiano

Os vírus por detrás do coronavírus

Por

Lajeado

Para entender o turbilhão do coronavirus, me vali da mídia e redes sociais. Ajudaram as entrevistas feitas pela Rádio A Hora e a conversa telefônica com pessoa que tem escritórios de representação na China e sede em Porto Alegre. Disse-me estarmos diante de algo grande, maior do que podemos imaginar, que extrapola o econômico. Pesquisei outros flagelos: vi que 1,35 milhões de pessoas/ano morrem em acidentes de trânsito no mundo. Só no Brasil, 5.332 em 2019. Quinhentos milhões passam fome no mundo e a cada 4 segundos uma morre. No Brasil, 5.653 num ano. Temos também a dengue, e o sarampo voltando. E a violência? Ninguém mais fala. Outras questões relevantes: das piores estiagens (mais êxodo rural e pressão social nas cidades), 12 milhões de desempregados, milhares de mortes por falta de saneamento.

Quanto ao coronavirus, em 31/3 tínhamos: no Brasil, 4.715 casos confirmados e 168 mortes (220 milhões de hab.); no RS, 274 casos e 4 mortes (11 milhões de hab.); no mundo, 803 mil casos e 40 mil mortes (7,7 bilhões de hab.) Lajeado: 210 possíveis infectados – 15 casos descartados – 5 confirmados – 7 em análise – nenhum óbito (70 mil hab.) Segundo o Ex Ministro Osmar Terra, comparamos coisas diferentes: números de países no auge do inverno (quando o vírus mais se propaga), diferente do Brasil, com inverno daqui a 60 dias e somente na região sul e bem menos rigoroso. Quanto à Itália, teríamos nos pautado na Lombardia, ao norte, muito fria e que mantém intenso intercâmbio empresarial com a China. Dos 5.570 municípios brasileiros, somente em 362 teríamos pessoas infectadas.

Daí que alguns fatos me intrigam: a) o por quê da forte e insistente pressão da grande mídia nacional e estadual tendo o tema como pauta única desde janeiro, quando ainda incipiente, com tantas outras questões, não menos importantes, gravitando? b) a estatal chinesa da comunicação teria assinado acordo de cooperação com rede da mídia nacional em novembro, por coincidência o mês em que a China começou a liberar informações do surgimento do coronavirus; c) a mesma estatal há pouco teria adquirido outra rede de televisão brasileira; d) determinados meios de comunicação e articulistas vêm garimpando críticas constantes ao Presidente da República, democraticamente eleito, para desestabilizá-lo

Vejo como pano de fundo: a busca pelo poder (Miriam Leitão, na Globo News entrevistou Rodrigo Maia e falando abertamente no impeachment de Bolsonaro); a tentativa da retomada das verbas bilionárias federais por grandes redes da mídia. Há cerca de um mês o Presidente falou em 1 bi não repassado no ano passado; por fim, a expansão colonialista e ideológica da China.

Tudo indica estarmos em meio a uma guerra das comunicações e do poder econômico e ideológico, tendo por arma um vírus. Qual nossa disposição e limite para sacrifícios diante dela e de que natureza? Parece inviável isolar uma população inteira por 90 dias, sem que enlouqueça, hajam saques contra supermercados e a casas que ainda tenham comida, suicídios, etc.

O coronavirus é doença muito perigosa, que merece todos os cuidados. Esta parada de duas semanas foi providencial e nos vemos quase estruturados para nosso pior momento de combate àquela praga, faltando focar numa melhor estrutura de diagnóstico/tratamento. Mas há um horizonte mais amplo a ser visto. Penso podermos passar a um rigoroso isolamento vertical, com liberação das atividades, à exceção das aglomerações e com os cuidados que políticas públicas sensatas já vêm indicando. E, necessário sermos brasileiros, consolidando nossa democracia ao respeitar a liderança do nosso Presidente, eleito por larga maioria.