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“As vendas caíram 98%”, diz produtor

Setor de flores registra queda desde outubro do ano passado

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“As vendas caíram 98%”, diz produtor
Henckes acumula prejuízo de R$ 10 mil com a queda nas vendas. Créditos: Divulgação
Vale do Taquari

Produtor de flores, chás e temperos há 22 anos, José Henckes, de Cruzeiro do Sul está receoso. O consumo registra queda desde outubro do ano passado. A estiagem aliado ao vírus fez os pedidos zerar. “Deixamos de comercializar 1,2 mil caixas em um mês. Nem conseguimos mais sair para atender os clientes”, conta.

Kees Schoenmaker, presidente Ibraflor

Outras duas mil caixas (30 mil mudas) estão nas estufas e em desenvolvimento. Henckes ainda não sabe o que fará para evitar que sejam descartadas, caso a situação persista. “Os quatro diaristas estão em casa já faz 14 dias. As flores de outono e inverno estão semeadas e logo terão que ser transplantadas”, diz. Em cada temporada são cultivadas mais de 16 variedades.

O prejuízo em duas semanas já soma R$ 10 mil. Com a troca de estação, o estoque está menor e inexiste prazo para fazer novas semeaduras. “Isso vai se refletir na falta de produto nos próximos meses, maio e junho, quando a procura é grande”, adianta.

Outra preocupação é com o pagamento da matéria-prima como sementes. “Tenho R$ 10 mil para quitar e sem vender fica difícil se manter. Sou otimista e acredito que em breve tudo vai se resolver. Hoje minha preocupação é com a saúde. A chuva uma hora vem”, finaliza.

Falência de 66% dos produtores

Conforme o presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), Kees Schoenmaker, desde o início do confinamento o valor não faturado atingiu R$ 297,7 milhões.

Para o mês de abril, os prejuízos calculados devem somar mais de R$ 669,8 milhões, aproximadamente. E, para o Dia das Mães, principal data de vendas para o setor, considerado o Natal da floricultura brasileira, a extensão da quarentena até o início de maio representará a perda estimada de R$ 396,9 milhões.

“Totalizando os três períodos, teremos deixado de vender cerca de R$ 1,364 bilhão. Sem ajuda, após o Dia das Mães, haverá falência de 66% dos produtores e o desemprego de 120 mil pessoas”, avalia.

Compre uma flor

Atualmente, um dos poucos pontos de venda de flores e plantas ornamentais são os supermercados, onde a venda registra queda de 70%. Para retomar o consumo, foi criada uma campanha – “Flor, o alimento para a alma”.

O objetivo é fazer as pessoas comprarem, além de gêneros alimentícios, uma flor para deixar o ambiente mais colorido e confortável.  “Assim transformam a casa, seu local de home office, em um lugar mais agradável”, argumenta Mattheus Yeda, diretor técnico da Ibraflor.

O setor no país

Produtores – 8,3 mil

Centrais e atacadistas – 740

Pontos de varejo – 20 mil

Empregos – 210 mil e 810 mil indiretos

Área cultivada – 15,6 mil hectares

Faturamento – R$ 8,67 bilhões

Fonte – Ibraflor