opinião

Adair Weiss

Adair Weiss

Diretor Executivo do Grupo A Hora

Coluna com visão empreendedora, de posicionamento e questionadora sobre as esferas públicas e privadas.

“Acho que estou com Coronavírus”

Por

Atualizado quarta-feira,
01 de Março de 2020 às 19:28

Lajeado

Ontem à tarde, um colega aqui da casa me liga e diz: “acho que estou com o corona”. Imediatamente, orientei para que fizesse contato telefônico com os órgãos de saúde. Ao que tudo indica, foi alarme falso, apesar que isso será o contrário, logo adiante.

Meu colega está cansado e exausto, pois faz quatro dias e noites que não dorme, de tanta preocupação. “Quando deito na cama, começo a rolar e não consigo desligar”, relatou.

O sintoma de esgotamento físico e mental passa a dominar até mesmo quem não é muito atucanado. É a soma de preocupações que iniciam no próprio medo de pegar a doença e morrer, até o colapso econômico e seus reflexos em nossas vidas.

Contribui para aumentar a sensação de pânico, a convulsão mental e tirar as pessoas do equilíbrio mínimo, esta celeuma de disputas políticas e ideológicas. São opiniões polarizadas na internet e até em alguns veículos de comunicação. A cada dia aparecem novos “especialistas” para esbravejar e dar “certezas” que, aos menos avisados, soam como absolutas verdades.

Ninguém sabe prever com exatidão. O problema, no entanto, é a falta de informação com responsabilidade. Setores da grande mídia pintam o cenário apocalíptico e o fazem com destino certo: atingir o atual presidente da república, que é seu desafeto.

Outra turma trabalha com a torcida do “quanto pior, melhor”, já que uma quebra do país pode favorecer a troca do atual governo polêmico logo à frente.

Importante atentar para os populistas e oportunistas, que enxergam na pandemia sua oportunidade para retomar fôlego. Tem aproveitador querendo tirar uma “lasquinha” por todos os lados.

Uma coisa é certa: o mundo não vai acabar com o coronavírus. Mas ele será diferente. Precisamos nos adaptar e acostumar com ele, praticar cuidados higiênicos, alimentares e físicos necessários para manter um bom sistema imunológico. Isso deve virar regra.

As baixas

Infelizmente, vamos perder entes queridos do nosso círculo de amizade, trabalho e famílias. Fechar os olhos para esta triste realidade é negar a própria existência, em face à sobra de evidências no mundo. Reaprender a lidar com isso exige grande dose de sacrifício e resiliência, como em uma guerra, quando nossos antepassados tinham de deixar seu filhos partirem para os campos de batalha, dos quais muitos jamais voltariam. Eles eram jovens, cheios de vitalidade, ainda assim, vulneráveis diante das armas e adversidades de uma guerra.

Hoje, a história se repete em outro extremo e, desta vez, são os mais frágeis que estão no campo de risco. Podemos colaborar e protegê-los, não com força, mas com inteligência, equilíbrio, empatia e responsabilidade. Ainda assim, repito, muitos não estarão entre nós depois que o coronavírus passar.

Quando pensamos sobre isso, precisamos ser fortes para seguir em frente e compreender que o ciclo da vida nos impõe desafios sem respostas fáceis, muito menos óbvias, nem exatas.

Problemas na economia

Não seremos os mesmos depois do coronavírus. Nem nosso entorno. O editorial ao lado nos recomenda serenidade e equilíbrio, dentro da linha defendida pelo Grupo A Hora desde o princípio que a pandemia explodiu.

Haverá fechamento de empregos, diminuição de salários, queda na renda das famílias, infelizmente.
Talvez a visão aqui seja um tanto estarrecedora para assimilar, mas ela é realista diante de um cenário mundial já provado por países muito melhor estruturados, economicamente, que o Brasil.

A quarentena imposta pelas autoridades de saúde – leia-se do Ministério da Saúde – são uma tentativa de diminuir o caos social com a pandemia. Retardar ao máximo para estarmos equipados para o caos, é a meta.
Se formos incapazes de compreender o tamanho do “furacão” onde estamos metidos, então, certamente, teremos ainda mais problemas.

Não é momento para digladiar, ou disputar quem tem razão. É hora de lutar, juntos, pois o inimigo é muito poderoso, como jamais nossa geração enfrentou antes. Egoismo, vaidade, arrogância e indiferença, definitivamente, são sentimentos nada favoráveis para tudo isso.

Existe luz

Vai doer, será triste e todos perderemos algo. Mas a vida continuará para a maioria depois que a “tempestade passar”.

O Vale do Taquari não é uma ilha, mas uma região com muitos idosos. Foram nossos pais e avôs que nos ensinaram valores dos quais nos orgulhamos. Talvez tenha chegado o momento de retribuir tamanho esforço e dedicação para lutar com eles, e por eles, para termos o menor número de baixas possível.

Se cada um ajudar e fizer a sua parte, talvez sairemos desta guerra mais fortes e unidos do que entramos. Nosso espírito de cooperação e solidariedade que sempre moveu este Vale, agora está colocado à prova e, quem sabe, pode nos orgulhar no futuro.

Tenho fé e esperança que vamos conseguir, pois a vida é a coisa mais preciosa para quem está com risco de perdê-la. Ainda assim, reconheço que parar toda nossa força de trabalho causará mais dor e prejuízos. Por isso, se ergue tão fundamental o bom senso.

Oxalá, se daqui há três ou quatro meses eu tiver de me redimir por este texto. Qualquer pedido de desculpas será, infinitamente, menor do que minha culpa por não ter alertado sobre a real ameaça.

Amigos, precisamos nos unir, e não dividir. Juntos, somos mais fortes.

Equilíbrio para agir, empatia para cuidar e coragem para seguir em frente!