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Falta de chuvas põe safras em risco no RS

Primeira quinzena deste mês será de tempo seco. Falta de chuva aumenta a apreensão no campo, castigado desde o fim de 2019

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Atualizado terça-feira,
03 de Março de 2020 às 16:28

Falta de chuvas põe safras em risco no RS
Estado

Março começa com perspectiva pessimista à agricultura. Não há previsão de chuva considerável às próximas semanas. Isso pode implicar em agravamento da situação de estiagem, vivenciada no RS desde novembro.

No Vale do Taquari, as perdas foram em localidades pontuais e atingiram principalmente a cultura do milho. Na análise da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a situação de agora é a mais grave desde a safra de 2011/12, pois compromete o potencial produtivo e também gera problemas no abastecimento para famílias do campo.

Está prevista para essa semana a atualização dos dados sobre prejuízos no RS. Na última projeção, as perdas estariam em torno dos R$ 440 milhões. A tabulação parte do preenchimento do Formulário de Informação de Desastre entregue pelos municípios para a Defesa Civil.

Na avaliação do gerente regional adjunto da Emater/Ascar-RS, Carlos Augusto Lagemann, as lavouras no Vale do Taquari estavam em recuperação, pois janeiro teve chuvas dentro da normalidade. No entanto, fevereiro e este início de março trarão dificuldades para os cultivos tardios.

Aqueles que plantaram milho e pastagens em dezembro e janeiro poderão ser prejudicados caso a previsão de pouca chuva se mantenha. Segundo ele, as plantas estão em fase de maturação, e precisam de umidade para se desenvolverem.

Daquilo que já foi plantado, a perda estimada na região se aproxima dos 60%. “Só vamos saber ao certo o impacto da estiagem quando terminar a safra de verão. Lá por maio teremos realmente o tamanho da quebra”, diz Lagemann.

Expectativa frustrada

O número de cidades com alguma dificuldade gerada pela falta de chuva supera cem. Ontem, na abertura da Expodireto, em Não-Me-Toque, era aguardado o anúncio de alguma medida do governo federal para atenuar a crise no campo.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve no evento, mas não confirmou a renegociação das dívidas dos agricultores. A safra deste ciclo no RS será de quebra. Apesar de algumas semanas com chuvas esparwas entre janeiro e fevereiro, elas não foram suficientes para reverter as perdas.

O estado também contabiliza perdas nas áreas plantadas mais cedo, que sofreram com a falta de chuva em dezembro. Com isso, a estimativa é de um terceiro corte nas previsões da produtividade. Uma comitiva formada pela Federação das Associações de Municípios do RS, governo do estado e entidades como Farsul, Fetag e Fecoagro levaram ao governo federal uma lista de reivindicações para reduzir os impactos sociais e econômicos da estiagem. As medidas para renegociar dividas e criar linhas de crédito estão em análise no setor econômico da União.

Dez demandas

O documento elaborado pela comissão foi entregue ao governo na metade de janeiro. Contem dez itens. Destes, o destaque fica para as prorrogações de todas as dívidas com crédito rural dos produtores rurais das áreas atingidas, dos investimentos, renegociação em dez anos dos créditos agropecuários e criação de linhas de créditos emergenciais.

Irrigação

Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), cresceu em 20% a procura por sistemas de irrigação no RS. Pela análise da instituição, se trata de um movimento comum frente ao quadro de seca.

Os anos anteriores não teve oscilações no volume de chuva e os investimentos nesse tipo de tecnologia foram tímidos. Informações da Secretaria Estadual de Agricultura confirmam essa análise.
Em 2019, o programa Mais Água Mais Renda teve 165 projetos inscritos. Em 2012, ano de seca no RS, foram 844.

Menos de 27 mil das mais de 360 mil propriedades gaúchas contam com sistemas de irrigação. Do total de 21,7 milhões de hectares de produção, apenas 6% contam com tecnologia de armazenamento de água e irrigação.