O futuro está na indústria

opinião

Thiago Maurique

Thiago Maurique

Jornalista

Coluna publicada no caderno Negócios em Pauta.

O futuro está na indústria

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Pesquisa divulgada pela Fiergs no dia 16 de janeiro mostra uma tendência muito preocupante para o futuro do Estado. A entidade apontou queda de 0,8% na atividade industrial gaúcha em novembro do ano passado, o que parece pouco, mas se soma a reduções em sequência. Desde junho do ano passado o índice não avança. Mas o buraco é bem maior e vem crescendo desde os anos 1990.
A polêmica surge com a lei Kandir, que isentou o ICMS das exportações, incluindo produtos primários. Na época, diante da elevada carga tributária da atividade industrial, ficou muito mais vantajoso exportar commodities e importar produtos industrializados, ainda mais com uma moeda artificialmente forte (vale lembrar que o dólar estava abaixo de R$ 1).
A renúncia fiscal resultou em um prejuízo de R$ 59 bilhões aos cofres públicos do Estado entre 1996 e 2017. Pior que isso: deixamos de exportar produtos industrializados e de alta tecnologia, capazes de gerar empregos e valor agregado. Assim chegamos à atual dependência da safra de grãos. Em períodos de estiagem, como vivemos hoje, as perspectivas são assustadoras.
Soma-se a isso a baixa carga de impostos das aplicações financeiras. Para quem tem recursos disponíveis, vale mais a pena apostar em uma carteira de investimentos na bolsa do que investir em uma produção. O resultado: se nos anos 1990 a indústria nacional representava 30% do PIB, hoje alcança 10% e caindo.
Quem mora no Vale do Taquari compreende a importância de um setor industrial forte e diversificado. Com grandes cooperativas e fábricas de segmentos variados, a região parece um oásis no deserto de um Estado convalido.
O RS deve criar mecanismos de incentivo às indústrias para tentar por fim a essa crise interminável. Caso contrário, continuaremos assistindo o fechamento de fábricas e a transferência de empresas para estados hoje mais atrativos, como Santa Catarina e Paraná.
Boa Leitura!


Mão de obra TIDo problema à solução

O último workshop Negócios em Pauta 2019 evidenciou um problema grave enfrentado pelas empresas de tecnologia da região. A falta de mão de obra especializada para o setor na região é um fato, assim como a dificuldade das organizações em atrair profissionais de outras regiões.
Felizmente, o debate foi além do diagnóstico e partiu para a solução. Na quinta-feira, 16, o Tecnovates sediou reunião com representantes das empresas de TI e da Univates para propor ações concretas.
Conforme a coordenadora administrativa do Tecnovates, Cíntia Agostini, a conclusão é de que a incompatibilidade de mão de obra não é apenas um problema técnico, mas também comportamental.
A partir disso, a proposta é construir, junto com as empresas, um dia de desafio, no qual os jovens que estão iniciando ou querem iniciar uma carreira na área possam compreender todas as nuances do setor e entregar um conteúdo prático. A intenção é avaliar a qualidade desse conteúdo e o comportamento desses jovens.
“Teremos olheiros das empresas no evento e a intenção é que os participantes possam sair já empregados”, destaca. Os critérios e condições da ação ainda estão sendo definidos e a proposta é fazer o evento entre abril e maio.


MARCANTE E ATUAL

“O administrador precisa ser resiliente e não pode saber apenas da sua área. É preciso trabalhar uma cultura multidisciplinar, buscar conhecimento e traduzir esse conhecimento em métricas. Temos o desafio de buscarmos profissionais que saibam desconstruir os modelos arraigados e verdades absolutas. Isso é fundamental para entendermos o que vem pela frente.”, Rosilene Knebel, Gerente de Operações da Unimed Vales do Taquari e Rio Pardo em matéria sobre o workshop Negócios em Pauta de abril de 2017.


AGVLajeado na direção da AGV

Em janeiro tivemos troca na direção da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV). Presidida pelo lajeadense Ricardo Diedrich no biênio 2018/2019, a associação foi assumida pelo empresário Sergio Galbinski, que ficará à frente da entidade até 2021.
Sobre os dois anos à frente da associação, Diedrich ressalta o apoio dos colegas para desempenhar um bom trabalho. “Temos um grupo muito unido, um clima positivo com pessoas engajadas e com o propósito muito firme de trabalhar pelo nosso segmento.”
A região manterá um representante na direção da AGV. O presidente da CDL Lajeado, Heinz Rockenbach, assume uma das vice-presidências da entidade. Compõem a nova direção os empresários Marli Rigo (Santa Maria), Roberto Estivallet (Passo Fundo), Gilberto Sequeira (Rio Grande), Ênio Lopes (Pelotas) e Everton Netto (Canoas).