Retrospectiva e perspectivas

opinião

Marco Rockembach

Marco Rockembach

Presidente do Sindicomerciários

Assuntos e temas do cotidiano

Retrospectiva e perspectivas

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CRON Previne - Lateral vertical - Final vertical

Nasci um mês após o golpe militar. Durante a minha adolescência e juventude só conheci uma forma de governo – a ditadura militar. Nela, o cidadão não podia se expressar livremente, as pautas dos veículos de comunicação eram aprovadas por censores do governo, os opositores do regime eram perseguidos, entre tantos outros atos autoritários.
Quando ingressei no mercado formal de trabalho com 15 anos de idade, por necessidade de ajudar no orçamento familiar, os militares continuavam no governo e o país crescia 10% ao ano, mas com os agravamentos do endividamento do setor público e da desigualdade social. Relacionando com os dias atuais, temos 12,5 milhões de pessoas desempregadas, 32 milhões de pessoas na informalidade e os jovens continuam precisando ingressar o mais cedo possível no mercado de trabalho para ajudar a família. Tais fatos relevam uma coincidência ou nada mudou de lá para cá?
Seguindo o raciocínio, lembro que em março de 1979 assumiu a Presidência da República João Batista Figueiredo, o último dos generais. Era o início do fim da perseguição e tortura. No final de 1983 e início de 1984 explode o movimento “Diretas Já”, com o povo nas ruas pedindo eleições diretas e o fim da opressão, e os partidos de direita e de esquerda uniram-se em prol da redemocratização do país. Em 2018, provavelmente pelo desconhecimento do que foi a ditadura militar, muitos brasileiros, sobretudo jovens, foram às ruas pedir a volta dos militares ao poder. E conseguiram, elegeram um militar.
Resgatando novamente o passado, em janeiro de 1985, com a Nova República, Tancredo Neves é eleito de forma indireta. Foi o primeiro presidente pós-ditadura militar, e por ironia do destino faleceu, assumindo o cargo seu vice, José Sarney. Em fevereiro de 1987 criou-se a assembléia constituinte que elaborou e votou em 1988 a nova constituição, chamada “Constituição Cidadã”, a mesma que o atual governo, juntamente com o Poder Judiciário (STF), está ignorando.
Ao longo dos 34 anos da redemocratização tivemos 8 presidentes. De Sarney, um vice oportuno, a Bolsonaro, o militar que louva o torturador Brilhante Ustra e prega a volta do AI-5. Acredito que estamos enfrentando as mesmas dificuldades do passado, porém com alguns elementos a mais no presente: a falta de conhecimento e de capacidade de governança. Nada tão diferente do governo estadual que, muito provavelmente, seguirá parcelando o salário dos servidores. E do governo municipal, qual a perspectiva para 2020? Ah, o ano promete fortes emoções com as eleições municipais em outubro. De um lado existe a promessa de não haver reeleição, inclusive registrada em cartório, de outro uma provável coligação, que a convivência já se mostrou ser difícil pelas diferentes ideologias.
Não faltam excelentes nomes para assumir os cargos públicos de Lajeado, é preciso apenas superar as vaidades pessoais para juntos trabalhar em prol do desenvolvimento local e regional.