Editorial

Mosquito sob controle

O governo do estado divulgou ontem a lista de municípios gaúchos em situação de alerta ou de alto risco de transmissão da dengue, chikungunya e zika. Os dados são decorrentes do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti…

O governo do estado divulgou ontem a lista de municípios gaúchos em situação de alerta ou de alto risco de transmissão da dengue, chikungunya e zika. Os dados são decorrentes do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre outubro e dezembro de 2019.
Para a região, a boa notícia é que apenas um município do Vale está entre os 99 onde mais de 1% dos imóveis vistoriados por agentes de endemias apresentaram larvas do mosquito – Estrela. A maioria das cidades em situação crítica está nas regiões Norte e Missões.
Os números amenizam um pouco a preocupação em relação ao risco de uma epidemia de dengue no Vale do Taquari, depois que pelo menos quatro casos autóctones da doença foram contraídos pela primeira vez em cidades da região no segundo semestre do ano passado.
Mesmo assim, o alerta precisa ser mantido, principalmente durante o verão, quando a proliferação do mosquito aumenta em função das altas temperaturas.
Há cerca de dez anos, falar em dengue no RS era um tema despreocupante. No entanto, a falta de cuidados da população e a incompetência dos governos para barrar o avanço do mosquito vetor tornaram o perigo cada vez mais próximo.
É necessário um cuidado que vá além das campanhas de conscientização. O movimento tem de ser orgânico. Estar com as agentes de saúde. Estar no contato diário com a população. O assunto deve ser debatido de forma ampla e contínua.
O poder público, nas três esferas, precisa fazer mais. É urgente, por exemplo, criar mecanismos para identificar de forma mais ágil os locais onde há risco de transmissão e combater o mosquito em áreas específicas.
Cabe ressaltar, no entanto, que essa não é uma luta só dos poderes públicos. É uma responsabilidade de toda a sociedade. E as precauções necessárias já são mais do que conhecidas.