O país do futuro

opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

O país do futuro

Por

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Desde de criança (o que não faz muito tempo), tenho ouvido dizer que o Brasil é o país do futuro. Na década de 1980 tínhamos como bandeira a busca da redemocratização da nação e a esperança real de que teríamos um futuro. É inegável que o país avançou, mas…
Ainda resultado da conversa com o professor Leonel Oliveira, lembramos da música da banda brasileira, de Salvador, Camisa de Vênus e seu clássico: O País do Futuro, do disco Duplo Sentido de 1987, cuja a letra ainda é atual. Vejamos, “aqui não tem problema, só se você quiser”. Problemas, no Brasil? Como assim? Se entra governo, sai governo e o discurso dos mandatários é sempre o mesmo, ressaltando seus feitos heroicos, com realizações na educação, saúde, segurança, infraestrutura…, “tenha esperança e fé”. Esse não é bem o país do futuro, é do presente, para os políticos, mas lamento por não ser aquele que vemos no nosso dia a dia. A canção continua, “todo dia lhe oferecem, sempre o melhor negócio, vão levar a sua grana, vão lhe chamar de sócio”, como não concordar, se a cada novo espaço de tempo somos cientificados das falcatruas que políticos, empresários e outros tantos comentem: desvios, superfaturamento, propinas… mas “vai ficar tudo bem, acredite em mim, meu filho”, afinal de contas somos brasileiros, não desistimos nunca, “muito pouco aqui no bolso, mas muita fé em Jesus Cristo” que está lá parado no Corcovado. E por falar nisso, nunca antes na história deste país, parafraseando Luís Inácio, tivemos uma paralisia tão grande da sociedade, assim me parece. Olhamos para o resto do mundo e até mesmo o pacificado Chile foi às ruas, enquanto isso no Brasil não se visualiza movimentação alguma na busca de uma alternativa. Claro que não estou pensando em “se você não me respeita, vou radicalizar, meto a mão em seu focinho, eu tô cansado de apanhar”, como alguns poderiam interpretar e outros até mesmo defender, como o atual governador do estado do Rio de Janeiro. Nada justifica o uso de força. Acredito que é preciso uma mobilização, junto aos nossos representantes, para viabilizar as reformas que se mostram cada vez mais necessárias para termos algum futuro, para que não corramos o risco de irmos “outra vez, pro fundo do buraco”, o que seria o fim da ideia de um país do futuro. “Mas minha conta na Suíça tá uma beleza…tá engordando…. há, há” ou “Isso é só fim”?, mas esta já é outra música.
Entre aspas trechos da música O país do futuro, Camisa de Vênus.