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Bibiana Faleiro

Bibiana Faleiro

Jornalista

A vida é uma festa

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O tabu que silencia qualquer debate sobre a finitude da vida ainda não foi quebrado. No entanto, é tradição as famílias visitarem cemitérios e levarem homenagens em forma de flores para os entes que já partiram.

Eu tinha medo dela, até que a literatura e o cinema me fizeram entender que este é um processo natural da vida. Parece antagônico, mas é justamente a certeza da morte que nos faz viver.

Na literatura, a obra “A menina que roubava livros”, do escritor Markus Zusakv conta a história da jovem Liesel Meminger, que vive com os pais adotivos na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

Curiosamente, a história é narrada pela Morte, de um jeito previsivelmente cínico, mas, ao mesmo tempo, bem humorado. Ela fala do seu cotidiano, torna-se quase uma amiga. Não deixa de ser uma história triste, de libertar as nossas lágrimas. Mas faz com que o destino dos homens seja visto mesmo assim, como um destino prescrito para acontecer. De certa forma ajuda a superar a dor ou, pelo menos, entendê-la

Alguns países como o México lidam de uma forma muito peculiar com a morte. O Dia dos Mortos é celebrado com festa. É tradição reunir a família e amigos para comemorar a visita dos antepassados à Terra. Se acredita que os mortos devem ser recebidos com alegria e coisas de que gostavam enquanto vivos.

Essa tradição é ilustrada de uma forma divertida e emocionante no filme Viva – A vida é uma festa, dos diretores Lee Unkrich e Adrian Molina. De uma maneira simples e bonita, a animação traz ensinamentos sobre laços familiares e sobre a finitude da vida.

Aborda de forma muito inteligente a memória humana como linha tênue entre o pertencimento dos mortos em um mundo em que ainda habitamos, e o esquecimento. De certa forma, lembrar é o principal objetivo desse dia. É o que dá sentido à nossa própria existência nas histórias de nossos antepassados.

Essa lembrança pode causar dor, mas também pode ser motivo de fortalecimento. Para cada um, a data é passada de formas diferente. Alguns preferem o silêncio. Outros não. E tudo bem. Mas gosto de pensar no Dia dos Mortos como um incentivo para vivermos de forma leve e feliz, como eles gostariam de nos ver.

Bibiana Faleiro – bibiana@jornalahora.inf.br