“Só quando o morcego doar  sangue e o Saci cruzar as pernas”

opinião

Marco Rockembach

Marco Rockembach

Presidente do Sindicomerciários

Assuntos e temas do cotidiano

“Só quando o morcego doar sangue e o Saci cruzar as pernas”

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Confesso que o tema que iria abordar nesta coluna hoje era outro, mas, após assistir a estreia no dia 08 de outubro da segunda temporada de Filhos da Pátria, um seriado de televisão produzido pela Rede Globo, não resisti e alterei. Para aqueles que não lembram ou não assistiram, a primeira temporada do seriado foi sobre a pós-independência do Brasil e, agora, a segunda retrata e satiriza a era de Getúlio Vargas.
Acompanho a política nacional e busco informações em diversas fontes sobre a verdadeira história do país, por isso me considero uma pessoa politicamente esclarecida para afirmar que o jeitinho, a malandragem, a corrupção, a troca de favores e o descaso com o povo brasileiro se dá desde a época da colonização, passando pela Monarquia, República, Ditadura e perpetuando na Democracia (Regime Presidencialista).
Tendo assistido a primeira temporada e agora o primeiro capítulo da segunda temporada, Filhos da Pátria apresenta, por meio de uma crônica cotidiana brasileira no século XIX, a realidade deste século, ou seja, nada mudou na forma de fazer política.
A combinação de humor e realidade é mais uma tentativa de chamar a atenção para a despreocupação histórica dos governos nos diversos segmentos. Superfaturamento, produções legislativas incoerentes, políticas públicas arruinadas, retrocessos de direitos fundamentais conquistados, aumento da criminalidade e desrespeito com a educação são alguns exemplos dos efeitos colaterais do sistema político do Brasil.
Diante disso, cabe a reflexão: será que o nosso sistema político é um programa ou é um projeto de governo! Será que “Para tirar meu Brasil dessa baderna, só quando o morcego doar sangue e o Saci cruzar as pernas”?
Para refletir sobre isto, sugiro de fundo a trilha sonora de abertura da segunda temporada de Filhos da Pátria. Escrita em 1990 por Cosme Diniz e Rosemberg, e gravada na voz de Bezerra da Silva, vale a pena ler a letra, que segue abaixo (e também ouvir a canção).
Quando o Morcego Doar Sangue
Para tirar meu Brasil dessa baderna
Para tirar meu Brasil dessa baderna
Só quando o morcego doar sangue
E o Saci cruzar as pernas
Só quando o morcego doar sangue
E o Saci cruzar as pernas
Toda nossa esperança é somente lembrança do passado
A alta cúpula vive contagiada pelo micróbio da corrupção
O povo nunca tem razão, estando bom ou ruim o clima
Somente quem está por cima é a tal dívida externa
E o malandro que faz aquele empréstimo
E leva os vinte por cento dela para tirar!
Já não há alegria de noite e de dia a tristeza não para
A vida custando os olhos da cara
E não temos dinheiro para comprar
Quem governa o país é muito feliz, não se preocupa
Tem tudo de graça, não esquenta a cuca
E o custo de vida só sabe aumentar
Antigamente governavam decente, sem sacrilégio
Hoje são indecentes, cheios de privilégio
É só caô caô pra cima do povo
Promessa de um Brasil novo
E uma política moderna
Mas só quando o morcego doar sangue
E o Saci cruzar as pernas