Editorial

Solidariedade se faz todos os dias

A onda de frio sobre o RS traz uma verdade inconveniente. A população de rua aumenta nas cidades gaúchas. Histórias de vida conturbadas, brigas familiares, dependência química, falta de orientação e oportunidade são algumas peculiaridades vistas nas pessoas sem-teto. Como…

A onda de frio sobre o RS traz uma verdade inconveniente. A população de rua aumenta nas cidades gaúchas. Histórias de vida conturbadas, brigas familiares, dependência química, falta de orientação e oportunidade são algumas peculiaridades vistas nas pessoas sem-teto. Como o poder público não consegue dar conta de tantas responsabilidades, mesmo assim procura inovar.
Com a ajuda da comunidade, abraça a causa e reforça a trincheira da solidariedade.
No fim de semana passado, Lajeado fez um plantão contra o frio. Levou para o abrigo mais de 20 pessoas. Mostrou à população que as pessoas em vulnerabilidade não precisam ficar na rua. Ainda assim, como consta em reportagem do A Hora de ontem, há ainda quem prefere ficar ao relento.
Esse trabalho mostrou que o número de pessoas em situação de rua aumenta. Só em Lajeado, estima-se que haja mais de 50 nessa situação. O desenvolvimento econômico cria um paradoxo. Ao passo que a geração de riqueza cresce, também se elevam os bolsões de miséria. Atraídas pela publicidade positiva, pessoas com pouca formação, sem especialização profissional e sem garantia de trabalho, se mudam em busca de novas oportunidades. Esse quadro é visto em diversas regiões do país. Mais próximo do Vale, a peculiaridade pode ser percebida em Santa Cruz do Sul, onde a indústria fumageira trouxe crescimento econômico na década de 90.
Sem a participação das fumageiras, mas com empresas de diferentes setores, Lajeado teve décadas de expansão. De cidade de perfil rural, tornou-se o principal polo comercial no Vale do Taquari. Essa condição resulta em uma contradição difícil de entender. O fato é que a desigualdade faz parte do cotidiano das cidades brasileiras.
O comum nos grandes centros é o processo de invisibilidade. Moradores de rua estão nas marquises, nas calçadas, abrigados em meio ao papelão, mas não são vistos. Como uma lição para a apatia da sociedade contemporânea, a comunidade de Lajeado, mais uma vez, dá exemplo de cidadania. Ações solidárias começam a se multiplicar, como no caso do Sopão para moradores de rua na Praça da Matriz.