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“O segredo é estar sempre ativo”

Maria Olemira Parisotto completa hoje 83 anos. Ela nasceu em Santa Clara do Sul, mas veio a Lajeado ainda criança. Como professora, ensinou Artes Plásticas em diferentes escolas da região. Ainda hoje, os quadros enfeitam as paredes da sala, e…

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“O segredo é estar sempre ativo”

Maria Olemira Parisotto completa hoje 83 anos. Ela nasceu em Santa Clara do Sul, mas veio a Lajeado ainda criança. Como professora, ensinou Artes Plásticas em diferentes escolas da região. Ainda hoje, os quadros enfeitam as paredes da sala, e vez ou outra ela ensaia uma nova pintura

 
Qual era o seu sonho quando criança?
Ser professora. Me formei em Belas Artes e participei de um encontro latino-americano de educação através da arte, eram oito dias no Rio de Janeiro. Lecionei até 1982, depois ainda fui guia turística e fundei um clube filantrópico do idoso no município. Isso aprendi com meus pais, a respeitar a pessoa idosa, cuidar. Porque todos chegamos lá um dia, acho que falta essa valorização, levar cultura. Por isso procurava organizar viagens, encontros, para eles verem coisas novas. Além disso, eu também tinha outras aptidões. Sempre gostei de me comunicar, de conversar com as pessoas, ver o lado positivo delas. Dentro da minha cabeça, eu podia fazer muita coisa.
 
Qual foi a maior lição que deixou para seus alunos?
Acredito que o carinho e a simpatia. Quando eles me encontram na rua, cuprimentam, lembram de mim. Nós fazíamos trabalhos muito legais com a arte nas escolas. Trabalhei em quase todas as particulares e públicas do município. Às vezes eu dava aulas também de teatro e música. Eu sempre pensava o que podia acrescentar à arte plástica.
 
A arte ainda continua fazendo parte de seus dias?
Minhas telas estão espalhadas pelas paredes de casa. Tenho alguns cavaletes ainda para pintar. Eu gosto de desenhar, e quando vem a ideia, tu precisa colocar no papel. Tem um quadro na sala da minha casa que é de um lago e uma casinha antiga. Quando eu terminei de pintá-lo, eu chorei. Ainda me emociono, porque lembro dos meus pais, dos meus avós, e imagino eles vivendo ali. Acho que o artista acaba sendo muito sensível. Eu, às vezes, enxergo objetos, rostos, em coisas simples, a arte está ao observar. E a arte, mesmo sendo reproduzida, nunca vai ser igual.
 
 
O que mais gosta de fazer hoje?
Eu viajei muito, pela costa da Europa, conheci Londres, Paris. A próxima viagem que quero fazer é para Jerusalém. Ainda estou me organizando. Gosto de fazer essas coisas. O segredo é estar sempre ativo. Eu nunca parei, até hoje. Meu marido e eu caminhamos aqui perto, e sempre faço minhas coisas a pé. Eu gosto de caminhar.
 
 
Nestes 83 anos, o que mais te marcou?
Os ensinamentos de meus pais. Nós morávamos no campo, eram pessoas humildes, mas me ensinaram muito respeito com o próximo. Trabalhávamos muito na lavoura. Desde lá, eu ajudava meu pai a cortar cana.
 

BIBIANA FALEIRO – bibiana@jornalahora.inf.br