Negócios em Pauta

Vacinar para avançar no status sanitário

A primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul será realizada de 1º a 31 de maio. Autoridades reforçam importância de aplicar as doses e os possíveis prejuízos para a economia em caso de algum foco ser detectado

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Vacinar para avançar  no status sanitário

O produtor Marino Johann, de São Bento, Lajeado, está atento ao calendário de vacinas necessárias para manter a sanidade do plantel. A próxima dose a ser aplicada será a da febre aftosa, a partir do dia 1º de maio. “Sempre aplico. Embora alguns animais apresentem reação, nunca deixei de vacinar. Não quero colocar em risco meu patrimônio, nem dos outros”, comenta.
 
Na propriedade são mantidos 73 animais, a maioria vacas leiteiras, cuja produção passa de 600 litros por dia.  No entanto, nem todos seguem o mesmo raciocínio. Durante o mês de março, um produtor do mesmo bairro foi multado em R$ 2.402,09. Em fiscalização da Inspetoria Veterinária foi constada a ausência da vacina nos testes aplicados em animais alojados na propriedade.
 
Segundo Rogério Kerber, presidente do Fundesa, a vacina tem o objetivo de proteger a produção. Um só evento sanitário é suficiente para que os mercados imponham restrições, alerta.
 
Na condição de maior exportador de carne bovina do mundo, Kerber reforça a importância do produtor aplicar as doses de forma correta, pois em caso de surto, outras cadeias, além das de proteína animal, podem ser afetadas, como as de cereais.  “O produtor tem que ter a percepção e fazer o seu papel. Um descuido coloca todo mercado em risco e poderia gerar um caos, tanto econômico como social”, argumenta.
 

Regras devem ser cumpridas

Além da vacina, diz que é necessário se adotar e respeitar outras regras como a realização dos testes na hora da compra e evitar a circulação de pessoas estranhas na propriedade. “O vírus pode estar na roupa ou calçado. Se existem normas, elas foram criadas com fundamentação e, portanto, temos que cumprir”, destaca.
 
Por mês o país exporta 120 mil toneladas de carne bovina, 400 mil de aves e 50 mil de suínos. Kerber diz que o avanço do status sanitário e a possível retirada da vacina depende de um esforço conjunto. “Permite acessar novos mercados e aumentar a produção. Mas para isso, é preciso vacinar, seguir as normas. Do contrário, colocamos em risco o próprio patrimônio e a economia de um país, hoje alicerçada no setor agropecuário, o qual garante o superávit na balança comercial”, finaliza.
 

Para saber

A febre aftosa é uma doença grave, altamente contagiosa, que causa febre, seguida pelo aparecimento de vesículas (aftas) – principalmente na boca e nos pés dos animais. É responsável por grandes prejuízos econômicos e sociais. Afeta principalmente bovinos e búfalos de todas as idades, mas pode infectar outros animais de casco bipartido, como suínos, ovinos e caprinos.